sábado, 1 de março de 2025

Cinema e Sociedade: Ainda Estou Aqui

Sou sociólogo e minhas pesquisas sempre envolveram a relação entre arte e sociedade. Com cinema, particularmente, só comecei a trabalhar em 2011. E desde então, sigo cada vez mais envolvido com esse tema. Sempre gostei de assistir a filmes, mas nunca imaginei que isso poderia se tornar parte do meu trabalho. 

Pois bem, nada mais oportuno para quem ainda tem dúvidas sobre o poder do filme sobre o mundo social é o impacto causado pelo sucesso mundial de Ainda Estou Aqui, de Walter Salles. Estrelado por Fernanda Torres, o filme conta o drama familiar da família Paiva sob os arbítrios da ditadura brasileira. O filme me tocou, mas muitos filmes me tocam, isso não é grande mérito, no meu caso. Mas eu realmente fiquei impressionado como a forma do filme, seu modo cuidadoso de lidar com aquele horror. E, claro, muito em razão da performance fora do comum de Fernanda Torres. 

Amanhã será a premiação do Oscar. Domingo de Carnaval. A principal emissora de canal aberto irá transmitir a cerimônia, deixando, com isso, de mostrar os desfiles no Rio de Janeiro. Não é pouca coisa. O filme concorre em três categorias: melhor filme, melhor filme internacional e melhor atriz. Eu acho que tem chances, sobretudo nas últimas duas categorias. 

O clima é de final de Copa do Mundo, algo que, se não me engano enormemente, é inédito no Brasil.

Fica aí evidência das relações entre cinema e sociedade, para quem tenha duvidado disso algum dia.

Um brinde ao cinema nacional. 

Já somos vitoriosos.

Fonte: Wikipedia



 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

30 de dezembro de 2024

Amanhã é 31 de dezembro, último dia do ano.

Não sei se vou ter tempo ou mesmo se vou me lembrar de escrever aqui.

Então esse é um post preventivo, just in case...

Esse ano foi muito complicado, muito difícil em muitos sentidos, mas penso que também foi muito bom, justamente por conta dos desdobramentos que vieram  das dificuldades. Acho que aproveitei as crises para me compreender melhor, meus limites e minha força. 

Que venha 2025, com seus desafios, mas que ele também seja um ano mais leve.

Feliz ano novo.

domingo, 10 de novembro de 2024

Keane, 20 anos de Hopes And Fears, nos nossos 25 anos.

Ontem fomos ao Show do Keane, em São Paulo.

Resolvi escrever minhas impressões logo, senão perco a emoção do momento. 

Ouço essa banda desde o seu primeiro disco, Hopes and Fears, que faz 20 anos e é o tema da turnê atual. Na verdade, meu marido é quem sempre gostou mais do Keane, o que eu acho o máximo, uma vez que a parte mais pop do casal sou eu. E claro que eu adoro as músicas, especialmente dos três primeiros discos.

O fato é que ontem, bem quando a gente completava 25 anos de união (bodas de prata!), ganhamos de presente do universo esse show, apresentação única em São Paulo. Não podia ter sido melhor.

O show foi fabuloso e nem tenho como falar aqui sobre tudo. As performances foram impecáveis e o repertório foi excelente, mesmo para fãs menos dedicados, como é meu caso. Gosto muito mas não acompanho tudo. Então me senti feliz ao ouvir antigas canções como “Somewhere Only We Know” e “Everybody’s Changing”. A primeira canção, "Can't Stop Now", já indicava o que estava por vir. Foi uma noite de celebração. Para mim, um dos momentos mais tocantes foi em "Perfect Symmetry", que gosto muito, mas é muito difícil escolher. Por exemplo, a surpresa no Bis, com a cover de "Under Pressure", do Queen com David Bowie, uma das músicas favoritas do meu marido, foi de cair o queixo. A gente nem sonhava com isso, então foi outro presente pra gente. 

Se for para falar de alguma frustração, eu gostaria de ter escutado "Atlantic" e "Black Burning Heart", mas como eram do segundo disco, compreendo que não caberiam. O foco era no primeiro, motivo de toda a comemoração da turnê.

Enfim, só posso dizer que foi um dos melhores show da minha vida. 

A vida sem música é impossível.



segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Final de ano chegando

 2024 foi um ano tão estranho em tantos sentidos que nem percebi que ele está quase no final. 

Novembro e dezembro são meses especiais, é meu aniversário de casamento, é aniversário do meu marido, termina o semestre letivo, chega o recesso, as festas... enfim, muita coisa legal, que me faz prestar atenção que 2024, esse ano esquisito, está acabando.

Escrevi um bocado por aqui sobre o quão estranho ele foi. O segundo semestre, porém, já foi mais leve e senti mudanças positivas, fruto de muito auto-cuidado. Demorou 46 anos mas percebi, de verdade, a importância e o sentido desse cuidado de si. Ninguém pode fazer isso pela gente. Colocar-se em primeiro lugar não é sinônimo de ser egoísta, mas justamente o contrário: só inteiros podemos pensar e agir em relação ao outro. 

Sigo nessa toada, tentando sempre prestar atenção em mim, nas minhas necessidades e nos meus desejos. E nos meus limites. 

Que venha o final do ano.


sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Orientar

Acabei de ter uma reunião de orientação. Sou professor universitário há 9 anos e sempre penso nessa função específica, a de orientador, como de grande responsabilidade. Sempre tive bons orientadores e eles são meu referencial, tento me aproximar das qualidades deles que me fizeram o pesquisador e docente que sou hoje. Há, com isso, um medo também, o medo do lugar que ocupamos na vida das pessoas. Por exemplo, acontece de eu sonhar, até hoje, com meu orientador dos anos da pós-graduação. De certa forma, o orientador ocupa um lugar paterno, com tudo que pode vir com ele: admiração, raiva, medo... e um bocado de transferência. Claro, agora partindo um pouco para a psicanálise: o orientador acaba tendo um papel de analista. Os encontros de orientação parecem sessões de terapia, até a duração é parecida. Esse é outro aspecto que realça a responsabilidade dessa função. Mas, sim, é muito gratificante ver o crescimentos dos orientandos. Ao mesmo tempo, é divertido perceber o quando de mim está neles, nas falas, nos textos, nos trejeitos. Mas, também, como vão se constituindo como profissionais a seu modo, com suas perspectivas e modos de ver as coisas.