Desde agosto do ano passado não escrevia aqui. Muito trabalho, gostaria de conseguir fazer outras coisas como praticar violão, desenhar, pintar, aumentar as aulas na academia, escrever no blog, mas o fato é que a rotina vai acontecendo e nem sempre a gente faz tudo que pode ser legal e prazeroso. Pensei até em fazer um podcast, isso ainda não sumiu do horizonte, mas também não sei se vai rolar. Gosto do blog, tenho esse espaço há muitos anos. Muitos, mesmo, desde a era de ouro dos blogs. Mas o fato é que ninguém lê. Sobre o trabalho, também espero que em 2026 ele seja mais legal, que eu consiga produzir mais, sem necessariamente ser aquela pressão que nós, professores universitários, sofremos cotidianamente para publicarmos. Adoro escrever, adoro pesquisar, mas quando isso se torna uma obrigação quase quantitativa, daí fica menos divertido. Mas, depois de alguns anos, desde que fiz minha livre docência, só agora parece que tenho sentido aquela coceirinha boa, de começar uma nova pesquisa, ler coisas diferentes, ver outros filmes (minhas pesquisas em geral são sobre cinema e sociedade). O ano já tem até viagem de pesquisa/evento agendada, e promete ser bem bacana. Já dá um ânimo. Mas, enfim, hoje é apenas o primeiro dia do ano. Acordei às 8:00h, tomei meu café, e resolvi pegar um livro que adio há anos para ler, Quem Matou Meu Pai, do Édouard Louis. Esse livro ficou na minha mesinha de cabeceira durante todo o ano passado, sem eu nem começar a ler. Claro que li outras coisas, mas terminei o ano com mais livros não finalizados do que o contrário. Também tenho lido coisas de psicanálise, mas isso fica para outro post. O fato é que gostei muito de começar o ano lendo literatura, sem pensar que tem que entrar em algum relatório de pesquisa ou projeto - embora essas ideais sempre surjam, pois faz parte do meu trabalho pensar assim. Mas, mesmo assim, foi uma leitura livre, leve e prazerosa. Eu quero que esse ano tenha esse espírito.
:: aquarelas na chuva ::
(considerações sobre arte, cinema, música, sociologia e outras coisas mais...)
quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
domingo, 24 de agosto de 2025
Desafios (antigos e superados)
Eu não vou publicar esse post. Mas eu queria muito escrever sobre essa experiência.
Tá escrito. >>
segunda-feira, 18 de agosto de 2025
Livre associação
O menino corre pela grama. Olha os bichos, sente o vento. Mas não sente o cheio de mato que ouve falar na TV. Qual será o cheiro do mato? O menino gosta dos dias de chuva. Neles, o pai e os irmãos vêm mais cedo pra casa, e tem chá mate quentinho pra beber. A mãe vai buscar ele na escola. Não que ele não goste de estudar, mas não gosta muito da escola. Sente-se um estranho lá. Se chove muito, mas muito mesmo, tem enchente no rio. O rio é longe de casa. Dois quilômetros, talvez. Ir ao rio é sempre um evento. Em dias que tem enchente todos vão lá ver como tudo é diferente. A comida é quente, porque é feita no fogão à lenha. As visitas da cidade sempre falam: que gostosa é a comida de fogão à lenha. O menino só entendeu isso quando teve que comer comida feita na cidade, com aquele gosto ruim, que mais tarde saberia que é de cloro. Susto do menino foi saber que as gentes compram água para beber na cidade. Como assim, pagar algo que sai do chão, pronto? O leite também era comprado, e vinha em saquinhos plásticos. Horrível. Muito diferente do leite da vaca Violeta, que era cor de caramelo e fazia tanta nata que se comia com açúcar, como se fosse doce de leite. Mas o menino achava tudo isso pobreza. Queria a vida da cidade, que era limpa, não tinha moscas voando sobre a comida e nem bicho de pé. Que tinha roupa bonita de loja e não a feita pela mãe na máquina Singer. Que tinha carro, que tinha tudo lindo, mas também tinha um cheiro de fumaça que deixava ele enjoado. O menino só tinha o cheiro do mato, a família reunida nos dias de chuva, e muita vontade de ficar grande logo e conhecer o mundo. Ele ainda não conhece nada. Mas escreve sobre essas coisas e fica até feliz.
segunda-feira, 28 de julho de 2025
Alergia Alegria
Duas palavras tão parecidas, mas tão opostas.
Desde sábado estou sofrendo aqui com uma rinite alérgica super forte.
Imagino que seja, pode ser gripe ou um resfriado.
Duro ter alegria com alergia.
segunda-feira, 12 de maio de 2025
Discos são um tesouro
Adoro comprar discos. Sobretudo, discos de vinil.
Desde criança, sempre foi um dos meus grandes sonhos de consumo: discos, fitas, depois CDs, DVDs... claro que, como éramos pobres, em casa não havia aparelhos de som, video-cassetes, nem nada disso. Apenas quando eu tinha uns 12 anos meu irmão apareceu e casa com um rádio gravador mono. E aquilo abriu minha mente. A música se tornou parte tão integrante da minha vida, que jamais saiu. Nunca mais parei de escutar música com regularidade. É incrível eu não saber tocar nada, e meio frustrante, também. Ano passado até comprei um violão para estudos, mas não fui muito adiante estudando sozinho. Pretendo encontrar um professor e avançar nisso.
Meu primeiro LP foi o Look Sharp!, do Roxette. Eu comprei em janeiro de 1992, quando voltei de uma viagem escolar, pois economizei uns trocos para isso. No entanto, fui ter um toca-discos em casa apenas 2 anos depois, presente de minha irmã, que comprou um melhor para ela. Meu primeiro CD foi uma coletânea do Roxette, de 1995. Fomos ter CD player em casa no ano seguinte. Em 1996 compramos um vídeo-cassete, mas claro que eu já tinha a VHS com os hits do Roxette esperando... DVD eu fui ter apenas em 2002, já morando com meu companheiro, em São Paulo, para fazer o mestrado. Também conseguimos comprar um bom aparelho de som nessa época, ele era maravilhoso: tinha um carrossel para 5 CDs! Uma ostentação! Montei uma bela coleção de CDs.
Mas eu já tinha uma pequena coleção de vinis, guardadinha em algum lugar. E daí o mundo resolveu trazer o vinil de volta e minha antiga paixão foi lentamente se acendendo novamente. Mas demorou para eu entrar nessa onda, de novo. Sobretudo porque eles voltaram como luxo, caríssimos. E as vitrolas, também. Mas, em 2017, ganhei do meu marido uma vitrolinha e, desde então, não parei mais de aumentar a minha coleção. Para mim, é uma alegria ir a uma loja de discos. Como uma criança na loja de brinquedos ou como um pinto no lixo (nunca entendi a origem dessa expressão, mas acho pitoresca). Encontrar um disco raro no meio de um monte de coisa que nada vale (para mim, claro), é como achar um tesouro. Por isso a metáfora do "garimpar". É bem isso.
Hoje vou dar uma volta pelo centro da cidade, e dar uma garimpada. Vamos ver que preciosidades encontrarei.
(Imagem: https://www.buscape.com.br/toca-discos/conteudo/melhores-toca-discos)

