quinta-feira, 2 de julho de 2026

Hipertrofia emocional

Há um tempo venho tentando cuidar mais de mim. Exames de saúde realizados com regularidade, visita a médicos, cuidado com a alimentação, atividades físicas, análise e, mais recentemente, consulta a uma osteopata. De tudo isso, consigo fazer certa associação entre treinos de academia, osteopatia e a psicanálise. Todas essas atividades, dentro de seu campo, permitem um conhecimento maior sobre nosso corpo e mente. Não que isso seja tão separado (corpo/mente), mas cada atividade colabora de um jeito. Porém, as três coisas têm algo muito similar: sentimos os efeitos de forma contínua, às vezes mais, as vezes menos intensamente. Quando a gente treina, se faz certinho, no dia seguinte acorda com aquelas dorzinhas gostosas, que indicam que o músculo foi trabalhado como se esperava. A osteopatia, ao que me parece (só fui a uma consulta até agora), tem o mesmo efeito: o corpo vai aprendendo, ao longo dos dias, a dar aquela calibrada, e, mais do que isso, a se conhecer melhor - algo que, realmente, não aprendemos ao longo da vida. Por fim, mas não menos importante, a psicanálise. Essa atividade, em especial, tem um efeito curioso na gente (pelo menos, em mim): às vezes se entra na sessão buscando algo que não se sabe bem o que é, e sai de lá (muitas vezes) sem entender o que encontrou. E fica pensando nisso dias, até a próxima sessão. Falei para meu analista que às vezes a sessão lembra mesmo um treino de academia: a gente sai da sala todo contente, cheio de ideias e empolgação (nem sempre, mas muitas vezes), mas no dia seguinte acorda "dolorido", como quando fazemos musculação. Bom sinal quando isso acontece, penso eu, pois tanto a dor muscular quanto a dor espiritual/mental são sinais de que algo está sendo trabalhado. Não que tudo precise ser sofrido, mas o contato com certos sofrimentos é muito importante, seja para superá-los, seja para melhor conviver com eles. Se o músculo se desenvolve nos treinos, nossas emoções, ao longo da sessões, também vão "hipertrofiando". Acredito que o mundo seria mais interessante se as pessoas se dedicassem a pensar e a falar sobre sua vida interior com um(a) analista tanto quando se dedicam a levantar pesos nas academias. 

Imagem produzida por IA generativa.


“Viver é afinar o instrumento
De dentro pra fora
De fora pra dentro
A toda hora, a todo momento".
...
"Tudo é uma questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranquilo"


Trilha sonora:  
Leila Pinheiro - Serra do luar (Coração Tranquilo), 1992




sábado, 25 de abril de 2026

25 de abril

Hoje completo 48 anos de idade. Uau! Já escrevi aqui sobre outros aniversários, e sempre é uma sensação tão bacana, mas também impactante. O tempo que passa é algo que a gente realmente não compreende bem. Quase 50 anos. Isso realmente é qualquer coisa. É bem difícil ter essa imagem de mim mesmo. Com assim eu não tenho 16 anos? Sério que passou todo esse tempo? É um privilégio estar vivo e com saúde, podendo celebrar esse dia. Feliz aniversário para mim! Que venham muitos outros para eu poder falar aqui.



domingo, 19 de abril de 2026

48 anos e aprendendo

Na semana que vem farei 48 anos. Que felicidade.

Numa sociedade etarista, aproximar-se dos 50 anos é uma prova de resiliência. Sobretudo para as mulheres. Mas para mim, homem, cis, gay... não é tampouco a coisa mais fácil. Mas é uma prova de sucesso. Só não completa essa idade quem não vive o suficiente. Para ser muito sincero, em termos de questões relacionadas à idade, tive problemas aos 46 anos. Não me pergunte por quê. "Só sei que foi assim",  diria Chicó. Tive tantos problemas, sobretudo de saúde. Problemas que me obrigaram a mudar muitas coisas na vida: fazer análise, levar os exercícios físicos a sério, cuidar mais da saúde em geral. Então, fazer 48 anos vai ser muito legal. Será no dia 25 de abril. Logo ali. Na semana passada fui ao show do Roxette em São Paulo. Um Roxette sem Marie, mas mesmo assim foi muito legal. Um momento feliz. Dancei, cantei, lembrei de quem sou. Sou isso aqui. 48 anos, mas me vejo com todas as idades que já tive. Com todas as alegrias que já tive. Com todas as tristezas. Com todas as ansiedades. E sigo empolgado pelo que ainda tenho por viver. Tanta coisa pra sentir! Mês que vem viajo para a França, a trabalho, como tantas vezes já fiz. Que gostoso que é. Que privilégio que é. Logo chega, pelo Correio, meu LP do Roxette, Baladas en Español, versão comemorativa de 30 anos (!). As letras traduzidas não são lá essas coisas, mas Marie canta como se cada verso fosse uma declaração de amor. Lembro, nos idos 1996, o frisson que foi esse lançamento em CD! Ouvir Marie falando palavras como "amor", tão próximo do som que seria em português, foi uma felicidade. E agora vou escutar em vinil essa preciosidade. Será meu auto presente de aniversário. Enfim, 48 anos, e sinto que ainda estou aprendendo tudo. 




quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

2026 começou.

Desde agosto do ano passado não escrevia aqui. Muito trabalho, gostaria de conseguir fazer outras coisas como praticar violão, desenhar, pintar, aumentar as aulas na academia, escrever no blog, mas o fato é que a rotina vai acontecendo e nem sempre a gente faz tudo que pode ser legal e prazeroso. Pensei até em fazer um podcast, isso ainda não sumiu do horizonte, mas também não sei se vai rolar. Gosto do blog, tenho esse espaço há muitos anos. Muitos, mesmo, desde a era de ouro dos blogs. Mas o fato é que ninguém lê. Sobre o trabalho, também espero que em 2026 ele seja mais legal, que eu consiga produzir mais, sem necessariamente ser aquela pressão que nós, professores universitários, sofremos cotidianamente para publicarmos. Adoro escrever, adoro pesquisar, mas quando isso se torna uma obrigação quase quantitativa, daí fica menos divertido. Mas, depois de alguns anos, desde que fiz minha livre docência, só agora parece que tenho sentido aquela coceirinha boa, de começar uma nova pesquisa, ler coisas diferentes, ver outros filmes (minhas pesquisas em geral são sobre cinema e sociedade). O ano já tem até viagem de pesquisa/evento agendada, e promete ser bem bacana. Já dá um ânimo. Mas, enfim, hoje é apenas o primeiro dia do ano. Acordei às 8:00h, tomei meu café, e resolvi pegar um livro que adio há anos para ler, Quem Matou Meu Pai, do Édouard Louis. Esse livro ficou na minha mesinha de cabeceira durante todo o ano passado, sem eu nem começar a ler. Claro que li outras coisas, mas terminei o ano com mais livros não finalizados do que o contrário. Também tenho lido coisas de psicanálise, mas isso fica para outro post. O fato é que gostei muito de começar o ano lendo literatura, sem pensar que tem que entrar em algum relatório de pesquisa ou projeto - embora essas ideais sempre surjam, pois faz parte do meu trabalho pensar assim. Mas, mesmo assim, foi uma leitura livre, leve e prazerosa. Eu quero que esse ano tenha esse espírito. 







domingo, 24 de agosto de 2025

Desafios (antigos e superados)

(O trecho abaixo foi escrito em 19/05/2014 e salvo como Rascunho, sob o título provisório "Desafios")

<< Hoje prestei meu sétimo concurso. Foi o primeiro dia. Foi no IFCH. Na hora da prova e até o final dela eu estava animado, mas ao chegar em casa comecei a refletir e acho que sequer vou passar nessa primeira prova.
Eu não vou publicar esse post. Mas eu queria muito escrever sobre essa experiência.
Tá escrito
. >>


Edição de 24/08/2025: realmente reprovei nesse concurso, tirei nota 6,7 (ou 6,5) na prova escrita e não cheguei a fazer a prova didática. Dois anos se passaram e outros concursos aconteceram. Tornei-me docente da Unicamp em 2016, no Departamento de Ciências Sociais da Faculdade de Educação. Há tempo para tudo nessa vida. Mas a gente só compreende isso com o próprio tempo. Por isso recuperei esse post, que eu nem lembrava de ter salvo como rascunho, talvez sonhando, naquela época tão difícil, voltar aqui um dia e terminá-lo, e poder, orgulhosamente, torná-lo público. Aqui está.


Na época, o post que acabei publicado foi esse aqui: