Há um tempo venho tentando cuidar mais de mim. Exames de saúde realizados com regularidade, visita a médicos, cuidado com a alimentação, atividades físicas, análise e, mais recentemente, consulta a uma osteopata. De tudo isso, consigo fazer certa associação entre treinos de academia, osteopatia e a psicanálise. Todas essas atividades, dentro de seu campo, permitem um conhecimento maior sobre nosso corpo e mente. Não que isso seja tão separado (corpo/mente), mas cada atividade colabora de um jeito. Porém, as três coisas têm algo muito similar: sentimos os efeitos de forma contínua, às vezes mais, as vezes menos intensamente. Quando a gente treina, se faz certinho, no dia seguinte acorda com aquelas dorzinhas gostosas, que indicam que o músculo foi trabalhado como se esperava. A osteopatia, ao que me parece (só fui a uma consulta até agora), tem o mesmo efeito: o corpo vai aprendendo, ao longo dos dias, a dar aquela calibrada, e, mais do que isso, a se conhecer melhor - algo que, realmente, não aprendemos ao longo da vida. Por fim, mas não menos importante, a psicanálise. Essa atividade, em especial, tem um efeito curioso na gente (pelo menos, em mim): às vezes se entra na sessão buscando algo que não se sabe bem o que é, e sai de lá (muitas vezes) sem entender o que encontrou. E fica pensando nisso dias, até a próxima sessão. Falei para meu analista que às vezes a sessão lembra mesmo um treino de academia: a gente sai da sala todo contente, cheio de ideias e empolgação (nem sempre, mas muitas vezes), mas no dia seguinte acorda "dolorido", como quando fazemos musculação. Bom sinal quando isso acontece, penso eu, pois tanto a dor muscular quanto a dor espiritual/mental são sinais de que algo está sendo trabalhado. Não que tudo precise ser sofrido, mas o contato com certos sofrimentos é muito importante, seja para superá-los, seja para melhor conviver com eles. Se o músculo se desenvolve nos treinos, nossas emoções, ao longo da sessões, também vão "hipertrofiando". Acredito que o mundo seria mais interessante se as pessoas se dedicassem a pensar e a falar sobre sua vida interior com um(a) analista tanto quando se dedicam a levantar pesos nas academias.

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