(considerações sobre arte, cinema, música, sociologia e outras coisas mais...)
quinta-feira, 15 de maio de 2008
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Medos da Infância
Ainda hoje estava pensando nos meus medos de infância. Aqueles que realmente deixam de existir quando a gente cresce (porque tem uns que ficam, como, por exemplo, o medo que eu tinha, tenho e terei de lugares altos e sem proteção). Lembrei desses:
1. Medo de dormir no total escuro: esse eu tive até uns 10 anos de idade. Eu não tinha medo de que algo fosse aparecer no escuro (pensando bem, nem poderia, já que tudo precisa de luz para aparecer... bem, talvez os fantasmas não, mas deixa pra lá); eu tinha medo da sensação de não estar vendo nada, de abrir e fechar os olhos e não ver nada além daquele escuro todo.
2. Medo de passar em cima de bueiros ou coisas do tipo, como aquelas grades que tem em algumas calçadas: eu não tinha a menor dúvida de que aquilo ia despencar – sempre evitei passar em cima daqueles troços. Hoje passo numa boa, ainda que eu esteja maior e mais pesado.
3. Medo de locais amplos onde circulam veículos, com asfalto no chão por todos os lados: eu achava errado passar em um lugar assim, era muito inseguro! Quem podia me garantir que não aparecia um ônibus e passaria por cima de mim, afinal, asfalto é lugar de automóvel, não de pedestre. Mas o fato de ter esse receio não me impedia de atravessar um estacionamento... na verdade, ninguém nunca soube desse meu medo (trata-se, aqui, de uma revelação bombástica e totalmente inédita).
4. Medo de pisar em poças d’água: acreditem, racionalmente eu sabia que não havia perigo algum, mas o reflexo do céu na água das poças, depois da chuva, dava-me a impressão de um abismo infinito. Eu sempre desviava das poças, até que um dia, cansado dessa idiotice, pulei com tudo e vi, naturalmente, que não se tratava de nenhum abismo.
Enfim, são desses quatro que eu me lembro mais. E eu não contava a ninguém essas coisas, até por saber que eram tolices... mas nessas situações eu sempre sofria, sem dúvida. E você, lembra de algum medo terrível da sua infância? Conta pra gente! Só não vale falar do Bicho-Papão ou da Boneca da Xuxa... muito clichê.
1. Medo de dormir no total escuro: esse eu tive até uns 10 anos de idade. Eu não tinha medo de que algo fosse aparecer no escuro (pensando bem, nem poderia, já que tudo precisa de luz para aparecer... bem, talvez os fantasmas não, mas deixa pra lá); eu tinha medo da sensação de não estar vendo nada, de abrir e fechar os olhos e não ver nada além daquele escuro todo.
2. Medo de passar em cima de bueiros ou coisas do tipo, como aquelas grades que tem em algumas calçadas: eu não tinha a menor dúvida de que aquilo ia despencar – sempre evitei passar em cima daqueles troços. Hoje passo numa boa, ainda que eu esteja maior e mais pesado.
3. Medo de locais amplos onde circulam veículos, com asfalto no chão por todos os lados: eu achava errado passar em um lugar assim, era muito inseguro! Quem podia me garantir que não aparecia um ônibus e passaria por cima de mim, afinal, asfalto é lugar de automóvel, não de pedestre. Mas o fato de ter esse receio não me impedia de atravessar um estacionamento... na verdade, ninguém nunca soube desse meu medo (trata-se, aqui, de uma revelação bombástica e totalmente inédita).
4. Medo de pisar em poças d’água: acreditem, racionalmente eu sabia que não havia perigo algum, mas o reflexo do céu na água das poças, depois da chuva, dava-me a impressão de um abismo infinito. Eu sempre desviava das poças, até que um dia, cansado dessa idiotice, pulei com tudo e vi, naturalmente, que não se tratava de nenhum abismo.
Enfim, são desses quatro que eu me lembro mais. E eu não contava a ninguém essas coisas, até por saber que eram tolices... mas nessas situações eu sempre sofria, sem dúvida. E você, lembra de algum medo terrível da sua infância? Conta pra gente! Só não vale falar do Bicho-Papão ou da Boneca da Xuxa... muito clichê.
Abraços!
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Mais uma sobre o [breve e inevitável] fim do mundo
Pessoal, li isso aqui no blog da minha querida amiga, escritora e socióloga Cris Traskine e não posso deixar de recomendar. É uma coisa realmente maluca que alguns cientistas em Genebra estão tentando fazer, uma espécie de simulação do Big-Bang (aquela explosão incial que deu origem ao Universo, bla-bla-bla e tal... para maiores detalhes, pergunte ao Google). Dêem uma olhada:
http://shesohigh.blogspot.com/2008/04/the end...
Depois comentem. Se é que isso dá pra comentar!
Abraços e até breve (ou não).
http://shesohigh.blogspot.com/2008/04/the end...
Depois comentem. Se é que isso dá pra comentar!
Abraços e até breve (ou não).
sexta-feira, 28 de março de 2008
Auto-biografia profissional
No primário eu queria ser professor. Eu tinha certeza que esse era meu destino! Ao chegar à 6ª série, surgiu a paixão por Ciências, e eu já me via em um laboratório cheio de microscópios e tal. Tinha especial interesse em botânica. Tracei (estimulado por uma professora que ainda hoje é minha grande amiga) meu trajeto até o doutorado. Era isso, tornar-me doutor em biologia era a nova e eterna meta! Mas o tempo passou.
Desde pequeno eu gostava de desenhar. Eu era aquele que desenhava coisas para os outros, nas contra-capas dos cadernos. E todos me diziam que eu iria ser, um dia, um grande desenhista. Nunca levei isso muito a serio, mas admito que no final do colegial eu planejava prestar vestibular para Educação Artística ou Desenho Industrial. E então, em 1998, eu entrei no curso de Ciências Sociais... (!). Na virada do milênio, tornei-me um sociólogo.
Mas não é que, por caminhos tortuosos, as coisas até ganharam algum sentido: mesmo na sociologia, que eu amo, estou sempre envolvido com estudos de cultura, especialmente Arte e Pintura. O pintor que estudo atualmente (Debret) é conhecido por haver criado centenas de imagens sobre o Brasil, muitas delas de caráter naturalista (imagens de animais e plantas, de feição científica). E, como estou no doutorado, não vejo outro caminho profissional fora da atuação como professor. Bingo! Eis meu sonho da quarta-série tornando-se realidade! Sem contar que, de um jeito ou de outro, arte e ciência me acompanharam em todo o trajeto até aqui.
Se planejei isso tudo? É óbvio que não. Isso aqui é só mais uma daquelas tentativas humanas de dotar a vida de sentido. Aliás, talvez esse seja o sentido de toda a coisa!! Mas é bom parar a piração por aqui... afinal, eu não sou filósofo nem psicólogo... sou apenas um sociólogo, perdido em algum lugar entre a ciência e a arte.
Desde pequeno eu gostava de desenhar. Eu era aquele que desenhava coisas para os outros, nas contra-capas dos cadernos. E todos me diziam que eu iria ser, um dia, um grande desenhista. Nunca levei isso muito a serio, mas admito que no final do colegial eu planejava prestar vestibular para Educação Artística ou Desenho Industrial. E então, em 1998, eu entrei no curso de Ciências Sociais... (!). Na virada do milênio, tornei-me um sociólogo.
Mas não é que, por caminhos tortuosos, as coisas até ganharam algum sentido: mesmo na sociologia, que eu amo, estou sempre envolvido com estudos de cultura, especialmente Arte e Pintura. O pintor que estudo atualmente (Debret) é conhecido por haver criado centenas de imagens sobre o Brasil, muitas delas de caráter naturalista (imagens de animais e plantas, de feição científica). E, como estou no doutorado, não vejo outro caminho profissional fora da atuação como professor. Bingo! Eis meu sonho da quarta-série tornando-se realidade! Sem contar que, de um jeito ou de outro, arte e ciência me acompanharam em todo o trajeto até aqui.
Se planejei isso tudo? É óbvio que não. Isso aqui é só mais uma daquelas tentativas humanas de dotar a vida de sentido. Aliás, talvez esse seja o sentido de toda a coisa!! Mas é bom parar a piração por aqui... afinal, eu não sou filósofo nem psicólogo... sou apenas um sociólogo, perdido em algum lugar entre a ciência e a arte.
terça-feira, 11 de março de 2008
Cidade K-ótica!
Hoje a cidade de São Paulo teve congestionamento recorde: 180 km. Dá pra imaginar o que significa isso? E a cada dia 600 novos veículos são licenciados, o que quer dizer que a coisa só tende a piorar. Tentam-se saídas como o rodízio de placas que podem circular em cada dia útil da semana - adianta? Não, não muda nada mesmo.
Bem, uma saída é usar o transporte coletivo. Mas imagine-se em um ônibus lotado, às sete da manhã, em um desses 180 km de congestionamento? Pensou? Melhor nem pensar, não é? Daí tem o metrô. Ele é rápido, eficiente... mas nos horários de pico é outra aventura: demora até conseguir entrar em um dos trens, que passam de cinco em cinco minutos (ou menos), e ao conseguir isso, percebemos que é possível quebrar a lei da física que diz que dois corpos não ocupam um mesmo lugar no espaço - no metrô isso acontece!
Aliás, hoje usei o metrô para ir ao centro da cidade. No horário que eu fui, que já era bem tarde (8:00 da manhã), a coisa já estava mais calma, na medida do possível. Mas ainda assim tinha muita gente ao meu redor. Quando eu saía da estação, subindo as escadas, houve um momento em que a multidão parou - como param os carros - e depois continuou a andar. Eu achei aquilo ilário: um congestionamento de pedestres! Onde isso acontece? Só em São Paulo mesmo. Daí eu pensei: o negócio é fazer também um rodízio RG's, como fazem com os carros. Exemplo: RG's finais 1 e 0, não podem sair de casa na segunda-feira, RG's finais 2 e 3 não saem na terça, e assim por diante. Não seria uma boa? Ha ha - melhor não dar idéia ao Kassab!
Enfim, a coisa aqui tá feia. É como uma amiga me disse outro dia: essa cidade tem a fama de ter de tudo, uma vida cultural como nenhuma outra - mas essa vida é pra quem? Quem arrisca pegar esses trens lotados para ir à uma exposição na Pinacoteca em dia de chuva como hoje? Quem tem paciência para esperar mais de quatro horas em uma fila para assistir a uma peça gratuita? E por aí vai...
Realmente, a cidade é linda, tem muito pra se ver, oferece de fato muita coisa pra se fazer. Mas não é sempre que estamos dispostos a pagar o preço que ela cobra.
Bem, uma saída é usar o transporte coletivo. Mas imagine-se em um ônibus lotado, às sete da manhã, em um desses 180 km de congestionamento? Pensou? Melhor nem pensar, não é? Daí tem o metrô. Ele é rápido, eficiente... mas nos horários de pico é outra aventura: demora até conseguir entrar em um dos trens, que passam de cinco em cinco minutos (ou menos), e ao conseguir isso, percebemos que é possível quebrar a lei da física que diz que dois corpos não ocupam um mesmo lugar no espaço - no metrô isso acontece!
Aliás, hoje usei o metrô para ir ao centro da cidade. No horário que eu fui, que já era bem tarde (8:00 da manhã), a coisa já estava mais calma, na medida do possível. Mas ainda assim tinha muita gente ao meu redor. Quando eu saía da estação, subindo as escadas, houve um momento em que a multidão parou - como param os carros - e depois continuou a andar. Eu achei aquilo ilário: um congestionamento de pedestres! Onde isso acontece? Só em São Paulo mesmo. Daí eu pensei: o negócio é fazer também um rodízio RG's, como fazem com os carros. Exemplo: RG's finais 1 e 0, não podem sair de casa na segunda-feira, RG's finais 2 e 3 não saem na terça, e assim por diante. Não seria uma boa? Ha ha - melhor não dar idéia ao Kassab!
Enfim, a coisa aqui tá feia. É como uma amiga me disse outro dia: essa cidade tem a fama de ter de tudo, uma vida cultural como nenhuma outra - mas essa vida é pra quem? Quem arrisca pegar esses trens lotados para ir à uma exposição na Pinacoteca em dia de chuva como hoje? Quem tem paciência para esperar mais de quatro horas em uma fila para assistir a uma peça gratuita? E por aí vai...
Realmente, a cidade é linda, tem muito pra se ver, oferece de fato muita coisa pra se fazer. Mas não é sempre que estamos dispostos a pagar o preço que ela cobra.
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