Sou uma pessoa apegada. Tenho dificuldade em me livrar das coisas. Exemplo: esse blog. Vai fazer 10 anos que ele existe, e eu fico pensando: o que fazer com ele? Deixar aqui, sem atualizar? Fechar o acesso público (como já fiz muitas vezes)? Excluir definitivamente? Não sei. Outro dia apaguei milhares de mensagens antigas de e-mail, foi uma grande experiência de desapego. Meu HD externo de 1 Tb está com 100 Gb livres apenas. Sigo acumulando bytes. Não sei mesmo lidar com isso. Se esse blog continuar existindo, me pergunto qual seria o motivo. Público não tem (já teve, na época em que vários amigos eram "blogueiros"), apenas eu mesmo ou algum leitor eventual que não deixa registros. Não sei mesmo. Mas deixa ele aqui, só por hoje.
(considerações sobre arte, cinema, música, sociologia e outras coisas mais...)
sábado, 18 de fevereiro de 2017
Post sem título
Normalmente um post começa com um título. Não foi o caso deste aqui. Estou na quarta frase e ainda não sei sobre o que vou escrever. Ontem assisti, pela enésima vez, o filme As Horas. É um dos meus favoritos. Em uma das falas de Richard, o escritor a ser homenageado na festa planejada por Clarissa, ele diz que o ato de escrever, para ele, era muito especial: falar sobre tudo o que acontece em um mesmo momento. Isso é realmente algo incrível, e apenas uns poucos escritores conseguem fazer isso bem. Isso é coisa de artista, de poeta. Lembro de um texto do Rubem Alves em que ele descrevia a fala de uma mulher que achava estar enlouquecendo, pois começou a chorar ao descascar uma cebola, não por conta de uma reação comum nesses casos, mas por ver a beleza da cebola em si, sua textura, como sua cor mudava conforme a luz batia nela. Rubem Alves disse para ela: vou não ficou louca, ficou poeta! Eu não me lembro onde ele escreveu isso, nem se foi exatamente assim, mas sei que foi ele. Sempre gostei muito das crônicas do Rubem, um jeito simples de falar sobre coisas complexas. Teve um período da minha vida em que lê-las foi muito importante. É bom que ajuda a gente olhar para o cotidiano, para o presente. Em geral oscilamos entre a ansiedade por conta do futuro e o saudosismo sobre o passado, que só parece bom porque já não existe. Eu me pego às vezes nesse jogo bobo. Planejar o futuro é uma coisa, sofrer por ele excessivamente, é outra. A mesma coisa sobre o passado, como ficar lembrando sobre a simplicidade do mundo quando se gravava fitas K7 com músicas que tocavam no rádio. Que porcaria era aquela? Som horrível, chiados, músicas cortadas ao meio com a voz dos locutores. Enfim, tudo é jeito de fugir do presente. Por isso estou escrevendo hoje. Simplesmente porque senti vontade. Está feito.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2017
Caos e sentidos
Quase não me lembro direito quando criei esse blog, acho que foi em 2007 ou 2008. Esse espaço foi muito importante durante um tempo, ajudava a organizar minhas ideias, praticar a escrita, sobretudo por ter coincidido com o período de pesquisa e escrita de minha tese de doutorado. Depois de um tempo, baixou a empolgação, e até tirei o blog do ar. Mas é legal que ele esteja aqui, esperando minha vontade de escrever.
Ano passado, precisamento há um ano, meu gato Pedro, que tanto amava, se foi. Que baque terrível. E hoje fui visitar o espaço onde jogamos suas cinzas, um lindo parque, onde há outros gatos. Foi bom ter ido. É importante encarar determinadas situações. A saudade ainda é grande, e acho que só tende a aumentar, mas agora ocupa um espaço preciso do meu coração.
2016 foi um ano bem intenso para mim. Mudei de cidade para dar aulas em uma universidade bacana. Não ganhei muito dinheiro, mas foi uma experiência linda. Foi um ano de tanto trabalho, especialmente no primeiro semestre, que achei que não daria conta, mas dei. No meio do ano, o maior dos baques: minha mãe teve um AVC, bem sério, mas não se deixou levar por ele. Porém, hoje é outra mulher, não fala, não anda, mas mantém o mesmo olhar comunicativo que tinha antes da doença. Seus olhos sempre foram um espelho de sua alma. Esse incidente mudou minha vida. Sofri e sofro muito desde então, mas estou feliz por ela estar viva, e torço para que ela melhore, para ter mais qualidade de vida. No meio desse turbilhão eu consegui o emprego que sempre quis, ser professor em uma universidade pública. Daí foi uma mistura insana de sentimentos, mas é a vida mostrando o quão ela pode ser complexa e sem muita ordenação. E, nesse caos, onde há de tudo um pouco, sigo dando meus sentidos para essa realidade doida.
E vamo que vamo, bola pro mato, que o jogo é (sempre) de campeonato.
;)
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Trilha sonora: Roxette Unplugged, 1993
terça-feira, 19 de abril de 2016
Roxette: o fim de uma longa viagem
Não é que o Roxette tenha, oficialmente, acabado. Mas Marie confirmou que ela não poderá mais sair em turnês, por ordens médicas, o que fez com que eles também cancelassem shows com ingressos esgotados, como os da Europa, agendados para o segundo semestre. É o fim de uma era.
Sou fã do Roxette desde 1992, no final da primeira grande turnê mundial deles, a Join The Joyride. Quase fui a um show da turnê mundial de 1994-95, a Crash! Boom! Bang!, mas não deu certo. Acabou que consegui fazer isso em 2011, na turnê de retorno do Roxette, com seu álbum Charm School, de 2011. Foi uma experiência única. Mas já era um Roxette diferente, com a Marie cheia de vida, voz e vontade, mas nitidamente frágil por conta das sequelas do tumor que quase a matou, em 2002. Na turnê que recomeçou no ano passado, em comemoração aos 30 anos da dupla, ela já cantava apenas sentada. Eu sempre achei que ela não deveria ter se proposto a tal desgaste, mas não posso reclamar, pois vê-los ao vivo foi mesmo um dia único na minha vida. Agora sei que nunca mais farei isso. Dá uma certa tristeza. Mas, ok, sempre me diverti muito ouvindo Roxette, e vou continuar a fazê-lo, como agora, enquanto escuto o álbum Joyride, de 1991, um clássico do pop-rock. Mas o Roxette ainda está por aí. Acabaram de lançar um novo single, It Just Happens, e o novo álbum, Good Karma, chega em junho de 2016. A música é boa, e estou certo que o disco também será.
Vou ficando por aqui, deixando minha favorita. Afinal, a vida é assim... Crash! Boom! Bang!quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
Meu gatito partiu
Ontem, às 23 horas, meu gatito Pedro se foi.
Tristeza grande. Mas a certeza de que nunca um gatinho foi tão amado nesse mundo.
Vai lá, Pedrão!
Tristeza grande. Mas a certeza de que nunca um gatinho foi tão amado nesse mundo.
Vai lá, Pedrão!
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