segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O reino do caos – Lars von Trier

Ontem fui assistir ao novo filme do Lars von Trier, Anticristo. O que dizer? Bom? Ruim? Não creio ser possível falar do filme nesse registro simplificador. Eu diria que, se um filme é bom quando desperta no espectador sensações inusitadas, bem, então o filme é excelente. Sem dúvida a trama é pesada, as imagens são fortes e a narrativa não é óbvia.

Assim como em Dogville e Manderlay (e, por que não, em Dançando no escuro), o diretor explora os recônditos mais íntimos e humanos das personagens, donde vem, possivelmente, a sensação de desconforto propiciada por esses filmes. Nesse sentido, não há como negar sua genialidade.

Diferente dos filmes anteriores, que já se mostravam inovadores em todos os sentidos, Anticristo tem um desencadeamento menos linear, embora respeitando o formato de capítulos e legendas, como nos dois anteriores (Dogville e Manderlay). Mas, se nesses filmes a imaginação do espectador tinha um papel essencial na criação de cenários e situações, em Anticristo as imagens são nítidas e em close-up. A participação do espectador, agora, depende muito mais do seu envolvimento na trama de medo, luto e poder que se desenrola, na intensa luta entre a racionalidade tranquilizadora e os pontos mais obscuros da natureza humana.

Não é bolinho, não. Contudo, nem todos terão as mesmas sensações – houve momentos, no cinema, em que ouvi risadas, em situações de tensão e sofrimento dos personagens, o que, de algum modo, me deixou intrigado. Concluo, em situações assim, que cada um organiza o [caos do] mundo a partir de seus próprios elementos, não é?

De qualquer modo, não é um filme fácil, nem agradável. Mas é construído de modo singular e magistral, com a marca registrada de Lars von Trier. De fato, não é um filme para “menores” – tem coisas que demandam certa experiência de vida, e não estou falando das imagens de sexo da trama – bobagem. Refiro-me, sim, à vida nua e crua, e à toda dor e alegria de podermos vivê-la, intensamente.

LarsvonTrier Sobre o diretor: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lars_von_Trier

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Catálogo do Roxette será remasterizado

Per Gessle anunciou no site oficial do Roxette que o catálogo remasterizado da banda será lançado em 30 de setembro de 2009. As novas versões dos álbuns trarão faixas bônus, três nos discos físicos (exceto em Tourism, que trará apenas duas), e algumas a mais em formato digital. Todas as músicas, porém, já podiam ser encontradas em The Rox Box (1986-2006), que jamais foi comercializado no Brasil.

Segundo Per, não se trata de um lançamento para colecionadores, mas um modo de trazer o Roxette de volta ao mercado, já que na maioria dos países esses CDs não estão mais em catálogo. De qualquer modo, as músicas estão todas remasterizadas, o que é algo muito relevante, se pensarmos que os primeiros CDs são da década de 80!

Essas serão as faixas bônus dos álbuns que serão relançados (as faixas antigas, naturalmente, estarão todas lá, remasterizadas):


Pearls of Passion
CD & DIGITAL
1. Pearls of Passion B-SIDE SOUL DEEP-SINGLE
2. Neverending love (demo) PEARLS OF PASSION RE-REL 1997
3. Secrets that she keeps (demo) PEARLS OF PASSION RE-REL 1997
iTUNES ONLY
1. I call your name (Montezuma demo) PEARLS OF PASSION RE-REL 1997
2. Neverending love (Frank Mono mix) A-SIDE SINGLE
3. I call your name (Frank Mono mix) A-SIDE SINGLE

Look Sharp!
CD & DIGITAL
1. The voice B-SIDE DRESSED FOR SUCCESS-SINGLE
2. One is such a lonely number B-SIDE THE BIG L-SINGLE
3. Don’t believe in accidents (demo) B-SIDE RUN TO YOU-SINGLE
iTUNES ONLY
1. Cry (demo) ROXBOX
2. Dressed for success (US single version, mix by Chris Lord-Alge) A-SIDE SINGLE USA
3. Listen to your heart (US single version, mix by John Luongo) A-SIDE SINGLE USA
4. Surrender (live) B-SIDE DANGEROUS-SINGLE
5. Neverending love (live) B-SIDE DANGEROUS-SINGLE

Joyride
CD & DIGITAL
1. The sweet hello, the sad goodbye B-SIDE SPENDING MY TIME-SINGLE
2. Love spins (demo) ROXBOX
3. Seduce me (demo) B-SIDE JUNE AFTERNOON-SINGLE
iTUNES ONLY
1. Come back (before you leave) (demo) B-SIDE CHURCH OF YOUR HEART
2. Joyride (US single version, mix by Brian Malouf) A-SIDE SINGLE USA
3. Fading like a flower (US single version, mix by Humberto Gatica) RADIO SINGLE USA

Tourism
CD & DIGITAL
1. Fingertips ´93 A-SIDE SINGLE
2. 2, Cinnamon Street SUPER MARIO SOUNDTRACK EUROPE
iTUNES ONLY
1. Fading like a flower (live) B-SIDE HOW DO YOU DO-SINGLE
2. Paint (live) B-SIDE QUEEN OF RAIN SINGLE
3. It must have been love (live) B-SIDE QUEEN OF RAIN SINGLE
4. Dressed for success (live) B-SIDE FINGERTIPS ´93-SINGLE
5. Hotblooded (live) B-SIDE FINGERTIPS ´93-SINGLE


Crash! Boom! Bang!
CD & DIGITAL
1. Almost unreal SINGLE A-SIDE + SUPER MARIO SOUNDTRACK
2. Crazy about you B-SIDE YOU DON’T UNDERSTAND ME-SINGLE
3. See me B-SIDE SALVATION-SINGLE
iTUNES ONLY
1. Better off on her own B-SIDE STARS-SINGLE
2. Always breaking my heart ROXBOX

Have a Nice Day
CD & DIGITAL
1. It hurts BONUS-EP THE POP HITS
2. Myth (demo) ROXBOX
3. Makin’ love to you BONUS EP THE POP HITS
iTUNES ONLY
1. Little miss Sorrow THE POP HITS
2. Happy together B-SIDE WISH I COULD FLY-SINGLE
3. Anyone/I love how you love me (demo) ROXBOX
4. New world (demo) ROXBOX
5. Better off on her own (demo) ROXBOX
6. Staring at the ground (demo) ROXBOX
7. 7Twenty7 (demo) ROXBOX
8. It will take a long long time (Modern Rock version) B-SIDE REAL SUGAR-SINGLE

Room Service
CD & DIGITAL
1. Entering your heart B-SIDE CENTRE OF THE HEART-SINGLE
2. The weight of the world B-SIDE A THING ABOUT YOU-SINGLE
3. Bla bla bla bla bla (You broke my heart) BONUS-EP THE POP HITS
iTUNES ONLY
1. Every day ROXBOX
2. Bla bla bla bla bla (You broke my heart) (demo) ROXBOX
3. All I ever wanted (demo) ROXBOX
4. Stupid BONUS-EP THE POP HITS

look_sharp!

Look Sharp!, de 1988, álbum que fez o Roxette decolar no cenário da música pop mundial.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Iniciando o segundo semestre.

É muito bom estar de volta. A temporada no Rio foi muito boa, produtiva para a tese, enriquecedora para a alma. Como deu pra perceber na série de postagens anteriores, essa viagem mexeu muito comigo – percebi como o Rio de Janeiro é uma cidade, digamos, intrigante. Aprendi muito. E concluí que preciso é viajar mais, assim, talvez, os estranhamentos sejam menores.

Pretendo, oportunamente (e não muito adiante, eu espero) fazer um resumo sobre minha estadia, com dicas sobre a cidade, aliás, sobre a parte da cidade na qual vivi, estudei, interagi. Afinal, foram trinta dias que passaram como um raio.

Mas agora estou em casa. E como é bom. Chego aqui repleto de manuscritos, que agora precisam ser relidos, sistematizados, analisados e, finalmente, incorporados à tese. Mas isso é outra história… falamos disso depois.

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Última foto, de celular, de dentro do avião… voltando para Terra da Garoa.

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Home sweet Home

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Voyage pittoresque et sociologique au Rio: #11. Casa de Rui Barbosa


Na Fundação Casa de Rui Barbosa você irá encontrar um museu, um lindo jardim e uma biblioteca. O museu é a casa onde Rui Barbosa morava, e fica logo na entrada. No fundo do quintal fica a biblioteca pública, que possui um acervo muito interessante e peculiar. Entre essas duas coisas há o jardim, com muitas árvores, flores, espelhos d'água, pássaros canoros e crianças - aliás, bebês! Vários, com suas respectivas mães, babás, etc, tornando o ambiente super familiar e leve. Claro que isso, de alguma forma, contrasta com o silêncio que se espera de um ambiente de pesquisas. Mas, de fato, não atrapalha em nada. O que atrapalha são alguns usuários da biblioteca, que falam alto, mas isso existe em TODA biblioteca - o que me deixa sempre irritado, mas não é o assunto agora.
Enfim, o lugar é lindo, pitoresco, suave, fica no bairro do Botafogo e é um dos meus favoritos nessa cidade.


Nessa foto é possível ver algumas da senhoras com seus bebês. Como ainda eram 9h00 da manhã, eles eram poucos. No horário do almoço a densidade bebeológica é realmente grande! Junto com os pássaros, eles são responsáveis pela trilha sonora local.

Foto: Anderson RT

domingo, 26 de julho de 2009

Voyage pittoresque et sociologique au Rio: #10. Pente azul escuro

Enfim, a última semana. Parece que foi ontem que cheguei, e agora faltam poucos dias para encerrar minhas atividades por aqui. Foi mesmo muito corrido. Acho que preciso voltar em outro momento, a passeio. Trabalhei bastante. Muitas horas diante de livros, papéis e micro-filmes.
Já sinto saudades de muitas coisas daqui, mas admito que essa temporada me fez ver que a cultura carioca é bem diferente daquela de onde eu venho, o que não significa que seja melhor ou pior - é apenas diferente. Mas já falei disso várias vezes nessa série de posts, então pulemos essa parte. De qualquer modo, foi uma temporada produtiva e muito interessante.
Ontem fomos ver uma exposição de pintores russos que está no Centro Cultural Banco do Brasil, chamada Virada Russa. Vi muitas coisas bonitas, mas o ponto alto foi poder ver, bem de perto, dois quadros do Kandinsky e um do Chagall. Passei uns bons minutos olhando para o quadro do Kandinsky (abaixo), não por pedantismo, mas porque realmente senti vontade de ficar olhando. Conheci a obra desse artista em 1999, quando li seu livro Do espiritual na arte, e desde então o admiro. Poder ver um quadro como esse, ao vivo, foi uma experiência inesquecível e única.
Enfim, o Rio tem muitas coisas boas, para além das maravilhosas paisagens. E foi bom poder ter ficado aqui por um tempo. Mas já estou com saudade de casa, e feliz por saber que em breve é de lá que estarei escrevendo essas coisas.


Kandinsky. Pente azul escuro.
Óleo sobre tela, 1917.