sábado, 5 de março de 2022

30 anos de Joyride, do Roxette

Em 1992 ouvi Spending my time em na trilha sonora de uma telenovela e foi amor à primeira audição. Daí pra frente comecei a querer saber tudo sobre o Roxette, dupla sueca responsável pelo hit, e de lá para cá são quase 30 anos acompanhando essa turma. Essa música foi um dos singles do álbum Joyride, sobre o qual já escrevi por aqui em algum momento (ver marcador roxette review ao final do post). Trata-se do trabalho de maior sucesso da banda, e que foi relançado ano passado, em se trigésimo aniversário, em 4 formatos físicos diferentes: vinil com as faixas 12 faixas originais, tanto na cor preta como em laranja marmoreado  (edição limitada), ambas em gatefold (capa dupla), como estava previsto em 1991 e não aconteceu; vinil quádruplo contendo as 15 faixas do CD original (que já continha 3 bônus em 1991), mais diversas versões demo ou  faixas inéditas; CD triplo, com o mesmo repertório do LP quádruplo. Ouvindo essas músicas, vejo como o Roxette foi uma banda incrível, fazendo um pop-rock de primeira linha, com músicas que ainda tocam por aí, aos quatro cantos. Joyride é realmente incrível, contendo hits como a faixa título, a já citada Spending my time, e pérolas como Fading Like a Flower e Watercolours in The Rain. Uma pérola da música pop, que pode ser escutada também nos serviços de streaming, naturalmente. Mas nada como botar um LP pra rodar... Join the joyride!




terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Ano 3 do Senhor Corona

Em março de 2020 as aulas da universidade onde trabalho tornaram-se remotas. Em março de 2022 elas voltarão a ser presenciais - ainda não sabemos bem como, mas voltarão. Se tudo correr bem. Se a pandemia manter o ritmo de desaceleração que os epidemiologistas prevêem. Foram dois anos de uma loucura que ainda não acabou e se intensifica agora, quando temos que voltar para o trabalho não-remoto. Foram anos de muito trabalho, ao contrário do que algumas pessoas cruéis e injustas insistem em dizer ("professores são vagabundos, não fizeram nada durante a pandemia..."). Só nós sabemos com o nosso trabalho foi intensificado nesse período! Só nós sabemos o esforço que foi se reinventar para buscar a excelência na formação de nossos estudantes. Só nós sabemos...

Estamos no Ano 3 do Senhor Corona. Esperamos que seja o último.

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segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Tio Nenê

Hoje numa discussão de um grupo de pesquisa que participo, falamos nos apelidos da infância, aqueles pelos quais éramos chamados nos primeiros anos de nossa existência. Hoje meu apelido é Dê, uma abreviação criativa de Anderson, feita pela minha irmã e que "pegou". Eu gostei, pois meu apelido anterior era o constrangedor "Nenê". Quando comecei ir para a escola, morria de medo de alguém descobrir esse infame vocativo, comum àqueles que são a "raspa do tacho", como de dizia sobre os caçulas, sobretudo temporãos, como foi o meu caso. Mas isso não quer dizer que gostasse do meu verdadeiro nome - como ninguém em casa me chamava por ele, e até hoje não o fazem, sempre achei estranho ser chamado assim, e mesmo dizer meu nome em voz alta era algo esquisito. Demorei para me acostumar. Nenê era bem estranho, mas eu me identificava com ele. O mais engraçado é que eu era novinho e tinha sobrinhos de idade próxima, e alguns deles me chamavam de "Tio Nenê". Hoje, olhando em retrospecto, acho bem bonitinho. Essa coisa de ser tio desde os dois anos de idade imprimiu em mim certa responsabilidade, da qual nunca me distanciei, o que, de certa forma, foi bom, imprimiu o que considero alguns traços interessantes de caráter, embora tenha me privado, em muitos momentos, de ser a criança da idade que eu tinha, para cuidar dos sobrinhos... mas nada muito grave. Aos 10 anos praticamente ninguém em casa me chamava mais de Nenê, e Dê foi se tornando meu nome, e até hoje os amigos assim me chamam. Alguns parentes, com os quais tenho menos contato, ainda me chamam de Nenê, e acho estranho. Gosto do apelido monossilábico que tenho há mais de 30 anos. Quanto a Nenê, hoje me voltou numa lembrança despertada no grupo de pesquisa, e foi uma lembrança cheia de ternura. A idade tem lá suas vantagens, e aos 43 me reconcilio com essa parte de minha identidade. Mas, por favor, me chame de Dê.



Trilha sonora agorinha: Go to sleep (Roxette, 1994).

https://www.youtube.com/watch?v=gKvatxuIk60

quinta-feira, 27 de maio de 2021

Mente sã etc.

Mente sã, corpo são. Sempre achei essa frase interessante, mas não sei bem se a relação causal é adequada. Hoje estava lendo um texto* que falava sobre como nossos corpos não são meros resultados dos processos sociais, mas também constroem e transformam a sociedade. O fato de darmos sentidos ao ser biológico que somos não faz com que deixemos de ser orgânicos. E, dentro disso, oscilamos entre saúde e doença o tempo todo de nossa existência. Portanto, cuidar do corpo é importante; a mente também é corpo, afinal de contas, e essa separação, quanto muito, é teórica. Mas o fato é que nunca gostei de praticar exercícios físicos. Nunca. O que não significa que não tenha praticado esportes na infância ou adolescência, mas sim que nunca gostei de academias, nem mesmo de correr por aí. Caminhar é o que me diverte e isso sempre fiz, mas sem regularidade. Daí veio a pandemia e, com ela, vários quilos a mais. Eu já vinha apresentando um histórico de desequilíbrio metabólico, se posso chamar assim meu colesterol ter subido a níveis preocupantes, a ponto de um cardiologista me receitar remédio alopático. Pensei seriamente em fazer uso disso, tendo em vista um histórico familiar preocupante. Mas o meu médico de sempre, aquele que me acompanha, me disse para não fazer isso e, ao invés, levar a sério uma reeducação alimentar, praticar exercício físico e passar a tomar um remédio fitoterápico (ele é adepto da medicina não ocidental). Nunca na vida consegui fazer qualquer dieta, por isso fomos a uma nutricionista, que nos mostrou um caminho bem tranquilo para isso, sem cortes radicais, mas com atenção à moderação e inclusão de fibras na alimentação: leia-se: frutas, legumes, verduras, grãos e lácteos. Sem tirar o sagrado arroz com feijão que amo e é a base da minha alimentação. Essa dieta suave, mas caminhadas regulares (em uma esteira ergométrica, pois não gosto de sair caminhar durante a pandemia), fez com que, em quatro meses, perdesse 8 quilos na balança e quase 100 pontos nos níveis de colesterol, além do reequilibro em vários outros índices. Nesse dieta, uma das maiores recomendações da nutricionista era diminuir ao máximo o vinho. Realmente, isso não aconteceu, talvez um pouco, mas nem perto do que ela gostaria (meia garrafa por semana!). No fim, penso que a alegria proporcionada pelo vinho, que tanto amo, foi um ingrediente importante para a saúde do espírito, da mente, e, consequentemente, do meu corpo. De modo que percebi que é possível, mesmo após os 40, se reeducar. Foi realmente um processo transformador. E, sim, estou muito feliz de poder vestir novamente algumas camisas que estavam no guarda-roupas há anos. 


Olivia Newton-John - Physical (1981)



* CONNEL, Rayween, PEARCE, Rebecca. "Corporificação social e arena reprodutiva". In: Gênero: uma perspectiva global. São Paulo, nVersos, 2015.


quarta-feira, 26 de maio de 2021

Trabalho

Muitas vezes me pego ansioso ou angustiado por conta de tarefas a realizar. Às vezes, acordo de manhã e, entre o do despertador, quando que penso em dormir mais 10 minutos, e o susto relacionado ao trabalho por realizar, dou aquele pulo. É algo muito curioso isso, o modo como tentamos a todo tempo enlouquecer (eu sei que existe um conceito psicanalítico para isso, mas nem vou me arriscar aqui). Quando penso em minha agenda, fico com medo de não dar conta das tarefas, mas olhando para o passado, em perspectiva, sempre foi assim, desde a faculdade, pelo menos. E tudo sempre foi realizado, de um jeito ou de outro. Tem horas que penso que a agonia é o tempero que dou ao meu trabalho, de modo a dar mais emoção às coisas, sei lá... claro que falo disso na minha terapia. Tive uma criação na qual o trabalho era imensamente valorizado, e carrego isso comigo. Estar aqui, por exemplo, escrevendo um post, me faz oscilar entre o prazer da escrita e a culpa por não estar fazendo algo mais produtivo ou relacionado às minhas obrigações. Mas lembro do tempo do meu doutorado, em que esse blog bombava, e sempre foi um modo de organizar as ideias e treinar a escrita, algo que, de todo forma, ainda compõe a maior parte dos meus afazeres. Escrever é uma terapia em si, e sempre foi uma ferramenta poderosa na minha constituição. Por isso, talvez, esse blog ainda exista.