quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Arte na vida

Quando eu era criança, eu gostava de fazer arte. Brincava muito, na maior parte do tempo sozinho (por falta de opção, pois não morava perto de outras crianças em boa parte da infância, e sou muito temporão). Mas minha imaginação era boa e eu me dava bem nisso. Morava no sítio, outro elemento importante sobre minha solidão infantil. Enfim, das coisas que eu gostava de brincar, desenhar era uma delas. Muito, mesmo. Tinha algum talento, parece, pois todo mundo elogiava. Diziam que eu ia ser artista. Adorava essa ideia, mas não acreditava muito nisso. Não me tornei artista, mas tenho redescoberto o desenho como uma forma de expressão importante. Comprei um bocado de materiais e volta e meia me pego brincando de desenhar, novamente. 

Outra coisa que sempre gostei foi de música. Sempre. Meu sonho era que em casa a gente tivesse uma vitrola, mas isso nunca aconteceu. Só quando eu já era adolescente. Então eu mais cantava do que outra coisa. Não tenho voz de cantor, mas acho que sou até afinadinho para performances de box de banheiro. No entanto, o que eu mais queria na época era aprender a tocar violão. Minha irmã, quando eu tinha uns 8 anos, comprou um Giannini, para fazer um curso na paróquia da cidade. Eu achei aquilo incrível! Talvez outra hora eu conte sobre como ela comprou o violão e como eu participei de todo o processo. O fato é que ela começou o curso e eu fui me envolvendo com esse mundo. Não aprendi acordes na época, mas alguns dedilhados nas primeiras cordas, como "Parabéns pra você"e outras. Adorava. Mas isso passou e, aos 16 anos, quando eu estava muito viciado em escutar música pop-rock, tentei novamente aprender, comprei um manual de banca de jornal, mas não deu certo. Achei muito difícil. Mas a vontade nunca passou. Só adormeceu. Pois bem, esse ano, além de voltar a desenhar, resolvi que vou aprender a tocar violão. Comprei um pela internet, um bem simples, para ver se consigo aprender algo. E está dando certo! Faz dois meses e dois acordes, mas já me sinto muito feliz. Acho que dessa vez conseguirei aprender o básico para tocar algumas musiquinhas e me distrair nas tardes de verão. 

Tenho recuperado a vontade de aprender coisas. Tem tanto que posso fazer! Voltar a dirigir, que aprendi tardiamente e nunca mais voltei a praticar. Aprendi a nadar faz dois anos e me faz muito bem. Cozinhar, que além de uma necessidade, é algo que gosto. Tenho feito coisas novas na cozinha e isso também me anima. Penso em aprender Espanhol e Italiano. E começarei a fazer musculação, por conta da saúde e da idade. Os 46 anos caíram como uma bomba em mim, pois me indicaram que tenho que me cuidar muito melhor. Estou atento a isso e fazendo escolhas. A análise, como já falei aqui, foi uma delas. Tem sido muito bom.

Enfim, que venham os próximos anos e as próximas aprendizagens.

E muita arte na minha vida.









sábado, 14 de setembro de 2024

Análises

Fiz terapia por 8 anos. Foi fundamental. Consegui trabalhar questões que eram muito difíceis. Mas todas elas ligadas ao modo como eu lidava com o ambiente ao meu redor, ao meu comportamento e ao comportamento das outras pessoas. Isso não é pouco, é essencial que analisemos nosso comportamento e como ele afeta, positivamente ou não, a nossa vida. 

Chegou um dia em que minha terapeuta falou que estava chegando a hora de a gente finalizar aquele processo... que vamos combinar, já tinha sido bem longo. Mas eu ficaria ali, facilmente, por mais tempo. Mas o profissionalismo e a ética de minha terapeuta falaram mais alto, e ela me "deu alta". Mas uma "alta" relativa: me sugeriu trabalhar com outra abordagem, psicanalítica. Foi então que comecei a pensar seriamente nesse assunto, que já fazia parte dos meus planos.

Depois e um ano, em meio a uma crise, ligada a questões de saúde, busquei um analista. 

Já passou de quatro meses e vejo o quanto é importante esse processo analítico. Enfrentar os próprios fantasmas, olhar no espelho. Não existe coisa mais difícil. 

Mas sigo firme e gostando demais desse caminho. 

Sugiro enfaticamente. Faça análise.







sábado, 10 de agosto de 2024

Passando meu tempo

É sábado de manhã. São 8:35h. Acordei cedo pois hoje é dia de analise. Isso é que é compromisso. Fico até orgulhoso de mim mesmo. Está uma manhã muito fria, 12° C. Enquanto o motorista dirige, ouvimos a rádio Antena 1. É minha favorita. Escrevo para passar meu tempo. 
É isso.

domingo, 30 de junho de 2024

Aquarelas e outros bichos

Este ano tem sido um ano bem interessante para mim. Interessante no sentido de fazer descobertas sobre mim mesmo, sobre meu corpo, sobre limites e possibilidades. Fazer 46 anos teve algum impacto, tanto no sentido simbólico (mais perto dos 50 do que dos 40), quanto empírico (pressão alta, problema na coluna). Meia-idade, isso deve significar mesmo algo. Mas a questão hoje, aqui, não é exatamente essa (idade), mas as coisas que podem vir com ela. 

Diante de um quadro de mudanças que percebo em meu corpo, e que me obrigam a dialogar mais com ele, suas necessidades, aparecem desejos e/ou necessidades. Uma delas foi voltar a desenhar/pintar. Durante toda minha infância gostei dessa atividade, e até meus 19 - 20 anos eu ainda arriscava fazer isso com alguma frequência. Fiz um curso de desenho e pintura por correspondência aos 18 anos que meu ajudou muito - na época, pintei o sete! Depois de entrar na faculdade e no mundo do trabalho, esse hobbie foi ficando de lado, até sumir. Vez ou outra eu tentava voltar, comprava algum material, mas não conseguia mergulhar a fundo. Ficava na ideia e nos rabiscos. Mas na semana passada, minha coluna travou. Eu mal conseguia andar de tão feio que foi. E uma das atividades que me aliviava a aflição da falta de mobilidade foi desenhar. Eu já havia comprado uns materiais, estavam lá esperando o dia, que nunca chegava. E foi na crise que o dia chegou, e pude, sem pressa e sem culpa, tentar voltar aos desenhos. Percebi que, mesmo estando bem enferrujado, tem algo ali que ainda faz parte de mim e me realiza. Não sou um grande desenhista ou pintor, mas consigo me divertir com papeis, lápis, caneta hidrocor, tintas ou giz-pastel, o que for. E familiar para mim, consigo me comunicar com esses materiais, não sou um estranho para eles. Estou mais perto de mim, agora.



Uma vista. Caneta hidrocor e lápis de cor aquarelado sobre Canson. A4. 26 de junho de 2024.

domingo, 12 de maio de 2024

Cuidando de si

Recentemente tenho tido alguns problemas de saúde recorrentes, ora gripe, ora alergia, ora problemas gástricos, mas o mais recente foram picos de pressão alta. Já os tive antes, mas se normalizaram em tempo suficiente para que houvesse alguma preocupação maior. Mas dessa vez eles foram mais recorrentes e mais altos e, embora ainda esteja investigando seriamente se sou hipertenso ou apenas estressado, precisei tomar uma medicação para que as coisas ficassem mais normais. Evitei o quanto pude, mas sempre defendi que os remédios existem para nos ajudar, então ao fim, aceitei os fatos e, sinceramente, já me sinto melhor.

Mas, ao lado disso, retomei a terapia, depois de alguns meses de haver terminado um processo anterior, que foi muito bom para mim. Agora, porém, dou os primeiros passos em uma terapia psicanalítica, da qual estou me aproximando e achando bem interessante. Mas ainda tenho muito a vivenciar disso. Estou muito interessado e feliz por ter começado a trilhar esse caminho.

Eu não sei se, ao fim da investigação com o cardiologista, descobrirei que sou mesmo hipertenso e terei, com isso, que tomar remédios para o resto da vida. Não veria problema nisso. Mas, no fundo, o que mais me toca foi a necessidade de parar para pensar em mim mesmo, de forma seria, profunda e respeitosa. Estou feliz por essa demonstração de afeto por mim mesmo.



Playing now: Place your love (Roxette).