segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

"Charm school", novo álbum do Roxette (2011)

Está previsto para 11 de fevereiro de 2011 o lançamento do 8º álbum de estúdio do Roxette, 10 anos desde Room Service, último álbum de músicas inéditas. O novo álbum ganhará três diferentes versões: simples, duplo (com um CD de bônus, contendo de b-sides, talvez gravações ao vivo das últimas apresentações da dupla pela Europa no último verão) e vinil.



Dia 06 de dezembro o site Musicserver.cz anunciou o tracklist, que foi posteriormente confirmado por Per Gessle:

  1. Way Out
  2. No One Makes It On Her Own
  3. She’s Got Nothing On (But The Radio)
  4. Speak To Me
  5. I’m Glad You Called
  6. Only When I Dream
  7. Dream On
  8. Big Black Cadillac
  9. In My Own Way
  10. After All
  11. Happy On The Outside
  12. Sitting On The Top Of The World
Agora é esperar pra conferir!

Em janeiro já sairá o primeiro single, She’s Got Nothing On (But The Radio), que terá com b-side uma versão ao vivo de Wish I could fly. Outro dia Marie cantou um trecho do refrão da música nova para alguns fãs em um evento que aconteceu na cidade de Malmö, e já deu pra perceber que aí vem coisa boa! (aliás, o vídeo com essa "canja", que estava no Youtube, já foi removido, infelizmente).




Atualização (23/02/2011): Clique aqui para ler um texto que escrevi sobre o álbum.


Mais notícias em português:
http://www.roxettebrasil.net/

Site oficial:
http://www.roxette.se/


sábado, 4 de dezembro de 2010

Brincando na neve

Todos dizem que é raro nevar em Paris, mas o fato é que tem nevado, e eu fiquei bem contente, pois tinha muita vontade de conhecer neve. Outro dia, quando fomos até a Universidade de Versalhes em Saint-Quentin-en-Yvelines, vi que tinha nevado um bocado por lá, mais do que em Paris, e pude tirar umas fotos.



Imagina-se que a neve é o pior sinal de frio, mas já passei dias mais frios por aqui apenas com chuva, que, a meu ver, é bem mais gelada, pois molha a roupa.
A paisagem com a neve é linda, calma, suave. Fiquei com pena dos bichos, no caso, dos patos que moram no lago do bosque, que no dia estava congelado. Mas imagino que eles entendam instintivamente o que está acontecendo.



De todo modo, com frio ou não, a minha "criança interior" ficou contente ao afundar a bota na neve, pegar um punhado com a mão (até sem luva, mas realmente é petrificante!), escrever a data no chão, etc. Achei lindo. Era como se eu estivesse em um daqueles cartões de natal que ficava olhando na infância - com aquele natal norte-americano, claro, cheio de neve - ai que ódio, pura alienação. Mas não tenho como negar que acho lindo. Penso que não gostaria de morar em um país em que todo inverno fosse assim (lembrando que ainda é outono), mas como experiência está sendo divertido.



Fotos: D. (Aquarelas na chuva).

Creative Commons License Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.




quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Meu reencontro com Ally McBeal (post final)

(Atenção: contém spoillers)

Em outro post eu comentava sobre meu reencontro com Ally McBeal, que ainda estava no começo. Ontem assisti ao último episódio da última temporada e acho que é hora de encerrar esse assunto por aqui.
De maneira geral, gostei de assistir novamente a série, mesmo porque na época eu via um episódio lá, um cá, e parece que no Brasil foram veiculadas apenas três temporadas, mesmo.
Como eu falei antes, a série é divertida e vale a pena, logo de cara criamos empatia com os persoangens. Há certa carga dramática, de algum modo todos eles são muito solitários e parecem ter grande dificuldade em firmarem-se em relacionamentos, o que acaba norteando a maioria das histórias.
As primeiras temporadas são as melhores, a segunda é o ápice, onde tudo é mais dinâmico e divertido. Na terceira as coisas começam a ficar monótonas, e por conta disso a carga dramática é maior e a "neurose" de Ally também. Tudo começa a ficar repetitivo, e o útimo episódio é mesmo ruim - a última cena é patética.
A quarta temporada dá uma revirada nas coisas. Aparece na história o advogado Larry (Robert Downey Jr), por quem Ally irá se apaixonar e apostar todas as suas fichas. Isso irá revitalizar a série, que poderia ter continuado no mesmo ritmo não fosse a saída abrupta de Downey Jr, que na época teve problemas com uso de drogas e precisou se afastar. Nem o "mundo real" poupou a personagem Ally, que acabou a temporada sozinha.
A quinta temporada começa com dois pés esquerdos. Primeiramente pelo sumiço de vários personagens, sem maiores explicações, algo que já acontecia antes, mas não de forma tão evidente. Figuras importantes como Renee e Georgia simplesmente saem de cena e voltam apenas no último episódio, assim como John e Ling, que se tornam atores convidados em um espisódio ou outro após a metade da temporada. Novos personagens surgem, e, do mesmo jeito que aparecem, somem. Isso fragiliza a história. Mas nem tudo está perdido. Nessa temporada os persoagens mostram-se mais maduros, e por conta disso há menos piadas, o que não é de todo o mal. Alguns episódios são mesmo excelentes, especialmente a partir do sétimo (tenha paciência até lá, pois dá mesmo vontade de parar logo no segundo). Da metade da temporada para o final as coisas realmente parecem mais sérias, e talvez por isso surjam alguns personagens palhaços para cumprir a função do riso, como a exótica Senhora Clarie Otons, que se torna assistente de Richard. Até o cantor Jon Bon Jovi (!) aparece como par romântico de Ally, o que, claro, acaba não vingando, mas cumpre uma função na trama. O final é interessante, direto e simples (que eu tinha contado aqui mas apaguei - é legal assistir). Apesar dos clichês e de alguns "americanismos" excessivos, é bem feito, maduro e emocionante. Acho que valeu a pena. Fica aqui a dica.
Bygones.


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Os parisienses e as baguetes


Não há como negar, Paris é uma cidade linda. E uma das coisas mais legais, pelo menos para estudantes como eu, são os supermercados. Sim, locais de verdadeiro deleite, pois mesmo as comidas mais baratas são boas. Os molhos-prontos, por exemplo, são realmente bons, e não como aqueles "X"-ettes da vida que encontramos no Brasil. Hoje, por exemplo, fiz um risoto com molho pronto de champignon e ficou muito bom, modéstia parte. Mas não é sobre isso que quero falar, e sim sobre as baguetes.
Ao preço de € 0,80 compra-se a tal da baguete, sem a qual parece ser inadmssível viver-se por aqui. No final da tarde, é impressionante o número de pessoas que transitam pelas ruas com suas baguetes a tira-colo. Se existe um fato social, a baguete é o fato social francês por excelência. Tem até máquinas em que se colocam moedas e o pão sai, pronto pra ser devorado.
Sim, o ato de comprar a baguete é o próprio inicio da refeição, a pessoa simplesmente começa a arrancar pedaços de sua extremidade, e sai caminhando feliz mastigando o suculento pão deles de cada dia. Admito que, quando criança, eu às vezes comia uma parte da "bengala" enquanto voltava pra casa, mas eu raramente comprava pão, minha mãe sempre fez isso em casa. E, de todo modo, eu era criança, esse pessoal aqui é bem crescidinho e faz a mesma coisa. Já vi gente mordendo o pão, e não um sanduíche individual, mas aquele que parecia estar levando para casa.
Isso não é tudo. O trajeto desse pão, da padaria (boulangerie) até a casa da pessoa, também é algo pitoresco. Não é raro que a mesma pessoa que pega o dinheiro seja aquela que irá pegar a baguete, nem sempre com luvas ou algum objeto - é tudo bem epidérmico, mesmo. Depois disso, o comprador pega seu pão e sai contente e feliz rumo ao lar, onde terá sua refeição, geralmente com um ótimo vinho que terá pago poucos euros. Nem sempre o pão é embalado, e já cansei de ver gente colocando o pão direto na bolsa, com uma parte pra fora, tomando um gostoso ventinho fresco, ou então atrás do carrinho de bebê. No supermerado, muita gente coloca o pão solto por entre as outras mercadorias, sem embalagem alguma. Outro dia um rapaz apoiou sua baguete no corrimão da escada rolante do metrô enquanto subia, e um senhor apoiou suas duas baguetes na calçada enquanto ajeitava suas sacolas de compras. Básico.
Talvez eu seja meio neurótico, mas posso garantir que não sou o Dr. Bactéria. Porém, não entendo essa relação das pessoas com as baguetes, pois os outros alimentos não recebem esse tratamento. Acredito que seja parte da cultura, mas não entendo qual o sentido. De todo modo, nem de baguete eu gosto tanto, geralmente compro pão de forma integral, que eu prefiro.
Espero não ser mal interpretado, eu gosto muito dessa cidade e de seu modo de vida. Mas não posso deixar de me supreender com algumas coisas que considero excêntricas. Isso, na verdade, é o mais divertido da viagem!



domingo, 21 de novembro de 2010

Potiche

Outro dia fui assistir ao novo filme do François Ozon (Potiche, 2010), não apenas porque gosto desse diretor, mas porque era tanta publicidade pela cidade que minha curiosidade aumentava a cada dia.
Dos filmes que assisti desse diretor, a maioria, sem sombra de dúvida, é carregada de tamanha densidade e momentos de tristeza ou sofrimento que eu meio que duvidei do "colorido" dos posters espalhados pelas ruas. Duvidei se tratar de um filme divertido. E eu me enganei. O filme é muito engraçado, e o elenco não deixa a peteca cair. Catherine Deneuve arrasa como a dona de casa de vida monótona à sombra do marido, um grande empresário do ramo de guarda-chuvas. É essa situação, esse papel, que os franceses chamam de "potiche". Porém, em razão de uma reviravolta na trama, Suzane (Deneuve) vê-se diante da possibilidade de virar o jogo e tornar-se alguém importante, mostrando-se uma verdadeira lider carismática.
O filme, claro, é repleto de ironia e aponta certa hipocrisia da sociedade francesa do inicio dos anos 80, a falsidade de valores familiares como fidelidade, dedicação aos filhos, ao lado de interesses políticos e econômicos. A trama se desenrola de forma leve e despretenciosa, carregada de cores vivas e vibrantes, que jamais vi em um filme de Ozon - talvez no musical 8 Mulheres, só que bem mais interessante (se cuida, Almodóvar!).
O filme acaba por ser uma homengem à força da mulher e ao seu poder carismático. Pode até estar carregado de ironia, e infinitos clichês. Mas na última cena, em que Suzane canta o clássico C'est beau la vie (A vida é bela), de Jean Ferrat, me vi tão contagiado quanto sua plateia no filme (não vou dar maiores informações sobre o assunto, não custa evitar spoillers!), que tive vontade de cantar o refrão junto. É delicioso, e em tudo diferente dos filmes anteriores de Ozon - que eu adoro, diga-se de passagem - mas revelando um tipo de otimismo que nunca supus ver em um filme dele.
Recomendo, afinal, às vezes a vida pode ser uma m***a, mas ela é mesmo bela.