sexta-feira, 6 de abril de 2012

Sobre Roxette Travelling – o novo álbum da dupla sueca

A volta do Roxette com um álbum novo, em 2011, foi uma surpresa imensa. Sairem em turnê mundial, no mesmo ano, não deixou de surpreender. Pois agora, um ano depois, eles nos brindam com outro álbum, Travelling. É a terceira vez que a dupla traz um disco com referência a viagens. Em 1991, lançaram seu álbum de maior sucesso até hoje, Joyride. Em 1992 seria a vez de Tourism, gravado durante a turnê mundial, que trazia gravações de shows, um quarto de hotel, um nightclub vazio e estúdios ao redor do mundo. Seria essa a motivação do álbum novo da banda, que chegou nas lojas brasileiras no último dia 04 de abril. Falarei sobre ele.
A faixa de abertura, Me & You & Terry & Julie, pode causar algum estranhamento, por começar de forma calma e mudar completamente o ritmo com o refrão, cantado por Marie, se tornando uma das mais animadas faixas uptempo do disco. Essa faixa é tão ambigua que lembra tanto o Roxette quanto parece ser totalmente diferente do que eles sempre fizeram.
A faixa dois, por sua vez, não deixa dúvidas. Em uma atmosfera totalmente Beatles, Lover Lover Lover é uma canção deliciosa, empolgante, pop do bom. Não duvido que venha a se tornar um single.
Turn of the tide é a terceria faixa. É uma balada ao melhor estilo do Roxette, com Marie nos vocais. Deixada de lado nos tempos do álbum Have a Nice Day (1999), caiu como uma luva em Travelling. Sem dúvida será a aposta da dupla para ser a grande balada do disco – afinal, 9 entre 10 só lembram do Roxette por conta delas.
A quarte faixa é Touched by the hand of God. Originalmente chamada Charm School sem ter sido escolhida para o álbum homônimo de 2011, aparece com novíssima roupagem em Travelling. Em entrevista, Marie disse ser a sua favorita no álbum – e não é pra menos. A música é forte, animada, puro rock’n’roll como as bandas pop não fazem mais. Aliás, existem bandas realmente pop hoje em dia?
Easy way out é uma canção folk cantada por Per. Honesta e bem conduzida, mostra como o grande nome por trás das composições do Roxette, Per Gessle, ganhou autoconfiança suficiente para conduzir grande parte dos novos vocais (algo que ele sempre fez, mas agora parece ter coragem para um performance nunca antes tentada). Como ele mesmo disse, esse álbum era pra soar como seu trabalho solo Sun of a plumber, de 2005. E ele consegue. Que bom.
It´s possible, a sexta faixa, é o primeiro single. Não há como dizer que eles poderiam ter escolhido melhor. Uma canção uptempo, com Per nos vocais e Marie cantando um dos refrões mais grudentos de todos os tempos. É uma delícia. E Marie canta como se não houvesse amanhã. Só mesmo o Roxette, com tantos anos de estrada, poderia gravar uma canção tão pop como essa e ter um resultando tão incrível. Impossível não se deixar levar por essa música. Se não quiser ficar com ela na cabeça o dia todo, nem pense em escutar!
A sétima faixa é Perfect Excuse, cantada por Marie com backing vocal de Helena Josefsson (que participa de todo o disco, aliás). Tratas-se de uma música do álbum solo de Per Gessle de 2008, Party Crasher. Em uma época em que o Roxette tinha futuro incerto, Per gravou esse álbum e deu na cara que ele poderia ter sido um disco do Roxette. Perfect Excuse é a segunda gravação pelo Roxette de uma música desse disco (a primeira foi I’m glad you called, em Charm School, de 2011). Aliás, ficou linda com Marie cantando. Mas a versão orginal é mais empolgante.
A faixa 8 foi aquela que mais me arrepiou quando escutei o disco pela primeira vez. Ao ler seu título (Excuse me, Sir, do you want me to check on your wife?) achei que seria uma música pop engraçada, tipo How do you do! ou The Big L. Ledo engano. A faixa caiu imediamente nas minhas graças, por ser uma balada muito bem realizada, com Per nos vocais principais e Marie no refrão, cantanto a frase título com uma gravidade que eleva a música a um nível numa imaginado quando lemos seu título no encarte. Lindíssima, a música remete imediatamente a músicas como Wish you the best, do álbum solo de Per de 1997 (The World According to Gessle) ou mesmo Crash! Boom! Bang!, do disco homônimo da dupla, de 1994. Com uma atmosfera 1960-1970, a faixa é a minha favorita do disco e adoraria que se tornasse um single, mas acho improvável.
Angel passing encerra o repertório de inéditas do disco e é uma das mais belas canções do trabalho. Com Per nos vocais e Marie e Helena no backing vocal, a faixa tem uma delicadeza ímpar e nos remete à atmosfera de Son of a Plumber, como intentava seu compositor na produção desse álbum. Fecha essa parte do disco com chave de ouro.
Stars, orginalmente do álbum Have a Nice Day, aparece aqui em uma versão ao vivo gravada em uma passagem de som em Dubai. Faixa eternamente controversa entre os fãs, por ter ares “dance” na versão original, aqui surge com a atmosfera rock com que foi criada, antes da produção para o disco de 1999. Sempre gostei dessa música e achei incrível a nova versão. Mas devo admitir que adoro a versão orginal, mesmo com o coral de crianças.
The weight of the Word e See Me são velhas canções da dupla que nunca chegaram a ser parte de álbuns, exceto em edições especiais. Sempre me perguntei a razão dessa exclusão, uma vez que se tratam de baladas muito boas. Finalmente aparecem em um disco em sua versão standard. See me teve uma pequena mudança nos arranjos, ganhando alguns violões, mas a mudança foi discreta, ainda que eu não chegue a ter certeza se foi mesmo necessária.
She’s got nothing on (but the radio) é a faixa efetivamente gravada ao vivo em um show. Aliás, a gravação foi feita no Rio de Janeiro, durante a primeira parte da turnê mundial, no ano passado. Uma vez que foi o single de retorno do Roxette, em 2011, não admira ter sido escolhido para compor Travelling. E foi uma chance de a banda mostrar seu lado rock’n’roll, pouco conhecido pelo público geral.
Em uma atitude insuitada, a dupla lançou uma música em duas versões bem diferentes no mesmo álbum. It’s possible (second version) é 14ª faixa do álbum e apareces em ares de verão, daquelas que os europeus gostam para os festivais da estação. Prefiro a versão original (do single), mas essa também é boa de ouvir.
A faixa de encerramento de Travelling é It must have been love, gravada ao vivo com acompanhamento de orquestra em um evento europeu chamado Night of the Proms, em Rotterdam, 2009. Foi o evento que trouxe o Roxette de volta aos palcos, sete anos depois de eles terem cancelado sua participação nele, por conta da doença de Marie, da qual hoje está totalmente curada. Pode parecer uma eterna repetição, mas essa canção, não apenas por ser provavelmente a mais conhecida do Roxette, mas por ter sido registrada nessa ocasião, é certamente um símbolo de superação, de vitória, de esperança. Em tempos como os nossos, uma música que pode trasmitir tais sentimentos certamente merece encerrar um trabalho tão bonito e honesto como Travelling.
roxettetraveling

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Em boca fechada....

Quantas vezes a gente se arrepende do que diz, né? Mas, ainda que as consequências do que se diz possam ser sérias, as do que a gente escreve podem ser bem piores. "Tudo o que você escrever será usado contra você", dizia uma professora no primeiro ano da faculdade. Pura verdade.
Ontem, enquanto o Blogger estava fora do ar, escrevi um post enorme no editor de texto para publicar hoje, falando justamente sobre os riscos da internet, onde as pessoas jogam frases de forma irrefletida mundo virtual afora, e às vezes se arrependem depois, quando já é tarde. Hoje, repensando o texto, vi que não havia necessidade de ele ser publicado aqui. Ficou lá no limbo dos posts abandonados... Às vezes a gente pensa que o que temos pra dizer é muito importante, mas se pensarmos bem, nem sempre é. Na maioria das vezes não tem importância nenhuma. De todo modo, fica aqui minha pequena indignação com a falta de bom senso que vejo aos montes por aí, nos microbloggins e redes sociais por onde passo. Não que eu tenha me arrependido de coisas que escrevi, aqui ou em outros locais; mas acho que não custa ficar alerta, evitar expor-se demais. Tem gente que compra briga alheia em redes sociais e depois paga o pato sozinha. Acontece aos montes. Nesse caso, é sempre bom pensar bem antes de atualizar os status da vida, né? Assim, com bom senso e autocrítica, não há o que temer quando tiver que responder à pergunta: "No que você está pensando agora?".

domingo, 8 de maio de 2011

Balanço do mês de abril


O mês de abril foi especialmente interessante pra mim por contra de três eventos bem significativos, e acho que vale a pena escrever umas linhas sobre cada um deles.

1. 14 de abril, show do Roxette: Esse foi muito esperado. Na segunda vez que o Roxette veio ao Brasil, em 1995, eu era fã da banda, ganhei o ingresso em uma promoção de rádio mas mesmo assim foi impossível, por motivos estruturais, comparecer ao show. A frustração foi finalmente superada com a recente passagem da dupla pelo Brasil, quando enfim pude vê-los em uma inesquecível e emocionante performance no Credicard Hall.

2. 25 de abril, aniversário: Completei 33 anos. Idade de Cristo, como todos dizem. Uma idade interessante, eu diria. Marca uma nova fase da minha vida, onde encerro umas coisas e inicio outras.

3. 29 de abril, defesa de doutorado: Esperado com grande ansiedade, o dia da minha defesa foi muito especial. Com uma banca de respeito e com pessoas muito queridas na plateia a defesa foi gratificante, pois os assuntos da tese foram discutidos com seriedade e, acima de tudo, com muita generosidade por parte da banca. Meu orientador fez um belo encerramento, e o evento foi finalizado com chave de ouro. Mas não se iludam: não é nada fácil defender uma tese, não mesmo...

Acho que foi mais ou menos isso. Bem intenso para um mês de abril, eu diria


quinta-feira, 28 de abril de 2011

Amanhã é 29


O Nietzsche fala que só se deve escrever sobre uma situação quando ela já tiver sido superada. Bem, de todo modo venho aqui para escrever sobre algo que ainda não se resolveu, mas não deverá passar de amanhã! Trata-se da minha defesa de doutorado, momento máximo, no sentido acadêmico, dos últimos 4 anos da minha vida. Desde 2007 venho realizando esse trabalho de pesquisa, e amanhã será o grande dia. Muitos sentimentos se misturam, mas em geral a sensação de estar em vias de cumprir uma etapa importante da minha formação é muito boa. Claro, há também a ansiedade promovida por toda a idéia que envolve essa espécie de ritual: pessoas falando sobre meu trabalho, me questionando, cobrando posturas, respostas, enfim, não dá para saber exatamente o que irei ouvir. Talvez isso seja, ao mesmo tempo, o mais terrível e o mais excitante de tudo.
Durante todo este mês escutei a mesma pergunta: "e então, está nervoso?". Curiosamente, a resposta era sempre negativa, porque, de fato, eu não estava. Hoje posso dizer que estou um pouco ansioso, mas não é, necessariamente, uma ansiedade ruim, mas, antes, boa. Boa porque reflete a seriedade com que realizei o trabalho, e por isso mesmo não há como fingir que não é um momento sério, que deve ser encarado como tal. Há, ainda, uma imensa alegria, por motivos que também são vários. Lembro-me da vontade que eu tinha de entrar na escola, quando ainda morava na zona rural, e de como enchia o saco de alguns irmãos para "brincar de escolinha", de modo que nessa brincadeira eu aprendia a ler e escrever. Lembro-me também da dúvida sobre o que faria no colegial (magistério, técnico?), e de como acabei entrando na faculdade de ciências sociais sem saber, ao certo, o que isso significava; e lembro-me, mais ainda, de como me apaixonei pelo curso, e especialmente pela sociologia, motivo pelo qual decidi seguir a carreira acadêmica nessa área. Nada disso sozinho, mas sempre tendo, ao meu lado, gente muito especial que me motivou e me fez acreditar que era possível.
E cá estou, escrevendo o último post antes de minha defesa de doutorado em sociologia. Amanhã é um dia muito esperado, não sem ansiedade e algum nervosismo, mas, acima de tudo, com muita felicidade. E, ao meu lado, assistindo, haverá pessoas que muito prezo e que farão desse dia, realmente, um dia muito especial. A essas pessoas eu deixo, aqui, meus sinceros agradecimentos, bem como aos leitores do blog, que acompanham um pouco da história dessa tese desde o começo.
Agora chove lá fora e eu estou um pouco resfriado, mas bem melhor do que estava ontem. No forno está assando um bolo de fubá que eu fiz. Adoro bolo de fubá. E assim a vida segue: nem tanto às teses, nem tanto aos bolos de fubá. Quem sabe assim, um dia, a gente realmente encontre o tão sonhado equilíbrio.



Alguns posts relacionados:

- La question
- Passado, presente e futuro
- Pequenos prazeres de uma vida neurótica
- A tese (getting started)

- Auto-biografia profissional



quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sobre o pop elegante do Roxette


Escuto Roxette desde que tinha 14 anos. Não venho de uma família de tradição musical, em casa nem mesmo tinha aparelho de som. Nos anos 90 meu irmão apareceu em casa com um rádio gravador mono, o que foi minha grande alegria, e dele eu não me desgrudava, passava o dia ouvindo FM e gravando fitas K7. Poderia dizer “bons tempos”, pois, de certa forma, esse hábito era divertido e hoje em dia os jovens não tem a menor dimensão do seu significado. Mas também era triste. Afinal, gravar fitas não era uma opção, mas a única, visto que eu não tinha dinheiro para comprar fitas originais, e as piratas eram de uma qualidade horrível, além da maioria das músicas virem cortadas pela metade.
Enfim, foi no embalo dessa minha então nova paixão pelo rádio gravador do meu irmão que eu conheci o Roxette, em 1992. Na verdade eu os conhecia antes, pois eu assistia novelas, e a música Listen to your heart (Look Sharp!, 1988) havia feito parte da trilha da novela Sexo dos Anjos, da Rede Globo de Televisão. Mas na época eu não dei muita importância para o fato. Em 1992, porém, novamente aparecendo em uma novela da Globo, agora Perigosas Peruas, o Roxette chamou de vez minha atenção com a balada Spending my Time (Joyride, 1991). Foi o que podemos chamar de amor à primeira escutada. Provavelmente, então, eu achasse que Roxette era o nome de uma mulher, que cantava com um guitarrista (acredito que hoje em dia há muitas pessoas que ainda pensam dessa forma), mas em pouquíssimo tempo eu me tornaria fã e passaria a acompanhar tudo sobre a dupla. Aliás, “acompanhar” não tem, tampouco, o sentido de hoje, em que tudo se resolve com um clique. Era bem difícil saber das notícias mais recentes, e, não raro, um novo disco era, realmente, uma surpresa que por vezes acontecia na própria loja. De certa forma, tenho saudade daquela sensação.
Enfim, desde então escuto essa dupla, e jamais duvidei de sua qualidade musical. Aqui no blog já escrevi sobre a sua discografia algumas vezes (links no final da postagem), mas reitero aqui que, dentro do universo absolutamente genérico e indefinido chamado “pop”, o Roxette é o responsável por uma imensa coleção de melodias simples e diretas, adultas e, nem por isso, entediantes, que sempre foram boa companhia para mim. Suas letras não são complexas, antes um amontoado de versos sobre o amor ou a amizade, ou sobre a simplicidade da vida, descrita, por exemplo, como uma sequencia de “la la la's” em June Afternoon (Greatest hits, 1995). O tempo passou e todos ficamos mais velhos; é redundante, dessa forma, mesmo. Hoje ainda escuto Roxette, e suas músicas continuam sendo boa companhia em muitos momentos. Nunca outra banda ou artista pop conseguiu a mesma façanha, ainda que eu procurasse outros referentes. Receber a notícia de que eles voltariam a gravar juntos e, mais do que isso, sairiam em turnê mundial, foi uma das melhores notícias que eu poderia ter. O novo CD se chamou Charm School (Escola de Boas Maneiras, 2011), o que não deixa de ser um puxão de orelha da veterana dupla nos jovens artistas que dizem fazer música pop por aí, algumas vezes imaginando que para tal basta se vestir de maneira exótica ou cantar esporadicamente com convidados da mesma idade e gravadora. Talvez esses jovens artistas precisem, mesmo, de um pouco de boas maneiras, e quem sabe, assim, o pop melhore. Mas para mim isso já não importa, pois o que gosto de ouvir continua tão bom como antes, e ir ao show deles no dia 14 de abril, aqui em São Paulo, foi uma experiência inesquecível, sobre a qual vou escrever aqui no blog em breve. Enquanto isso, Sleeping in my car, versão ao vivo gravada em Stavanger (Noruega)* no ano passado, corre frouxa no meu som... afinal, guitarra pouca é bobagem, e "the night is so pretty and so young! Yeeeeah!"





Posts relacionados:


- Resenhas sobre a discografia do Roxette (até 2006) (parte 1, parte 2, parte 3)
- Sobre Charm School, novo álbum

* Faixa do segundo disco da versão Deluxe do CD Charm School (2011), gravado ao vivo em Stavanger, Halmstad e S. Petesburgo, em 2010.