sábado, 25 de janeiro de 2020

Gosto musical, novelas e fitas K7

Em 1990 eu estava na sexta série, na minha pequena cidade de pouco mais de 1000 habitantes. Quase uma escola rural, na verdade - tínhamos até aula de agricultura. O gosto musical mais geral girava em torno da música sertaneja, que na época estava a mil com figuras como Leandro & Leonardo, Gian &; Giovani e Zezé di Camargo e Luciano. Era também o tempo do pagode de bandas como Raça Negra, Só pra Contrariar etc. Eu odiava ambas as ondas. Mas ainda não tinha um gosto musical - em casa a gente nunca teve aparelho de som e meu sonho era ter um rádio toca-fitas. Isso aconteceu graças ao meu irmão, que morava fora e voltou pra casa com um rádio mono da Philips. Esse rádio se tornou meu melhor amigo e graças a ele comecei a gravar fitas K7 de músicas que tocavam nas FM's. Eu sempre fui muito de cair de cabeça nas coisas, então passava horas ouvindo rádio até gravar as músicas que eu queria. Acabei me tornando bem habilidoso nisso, mesmo naquele rádio simples e sem recursos (nem tinha duplo deck - se não souber do que estou falando, Google it). Enfim, as FM's se tornaram minha diversão. 
Muitas das músicas que eu gostava conhecia nas trilhas sonoras de novelas. Não posso negar que meu gosto musical se construiu com base das seleções de Nelson Motta. Foi assim que eu comecei a prestar atenção no Roxette, quando ouvi Spending my time na trilha de Perigosas Peruas, uma novela das sete estrelada por Vera Fisher, Silvia Pfifer e Mário Gomes. Eu adorava essa novela e suas músicas - que vinham também de Information Society, Eric Clapton, Deborah Blando... Mas apenas do Roxette me tornei fã. Depois de sair à caça de músicas deles nas rádios, acabei comprando fitas K7 piratas. Na época, de cada 10 fitas desse tipo, apenas umas 4 eram de qualidade razoável, mas a gente arriscava mesmo assim, pois fitas originais eram caríssimas. Enfim, em setembro de 1992 comprei a fita do álbum Joyride e não teve jeito, começou uma vida de imersão nas músicas da banda, que me estimulou, entre outras coisas, a aprender inglês. Traduzia tudo o que podia e assim fui aprendendo o idioma. 
Enfim, essa é uma parte da minha história com o Roxette. Não é glamourosa, mas é minha. 
E não a trocaria por outra, como tudo na minha vida.




sábado, 18 de janeiro de 2020

2020

2019 foi um ano muito ruim. Do ponto de vista político, nem comentarei, leiam as notícias e saberão. Do ponto de vista pessoal, muito pessoal, foi ruim demais. Minha mãe se foi. Embora sabendo e reconhecendo que para ela foi um descanso mais do que merecido, seja pela vida de trabalho incansável pela família, seja pela doença que a deixou acamada por mais de 3 anos, a tristeza foi sem tamanho. E ela se foi um dia antes do meu aniversário, o que abala qualquer espírito dos mais desencanados. Depois, em dezembro, se foi Marie Fredriksson, conhecida pelo trabalho no Roxette, mas que para mim era bem mais do que isso. Acompanhava sua carreira em todos os sentidos e sua voz sempre foi trilha sonora da minha vida, desde os 14 anos. Agora não a escuto com frequência e não sei quando nem se voltarei a fazê-lo. Claro que coisas muito boas também aconteceram em 2019 e, num sentido amplo, já tive anos bem piores em muitos sentidos. Mas alguns acontecimentos o marcaram para sempre e me alegro por estarmos em 2020. Vamos torcer para ser um ano mais amistoso.